Decio O. Elias & Maria Helena L. Souza
O computador tem sido utilizado como uma ferramenta auxiliar no ensino há vários anos. A contribuição da informática ao ensino, nos seus diversos níveis, é cada vez mais acentuada. Modernamente, a utilização dos recursos de multimídia (que integram texto, som, imagem, movimento e vídeo na educação, tem contribuido para o melhor desempenho dos professores e o consequente maior aproveitamento dos estudantes. Os computadores, na atualidade, constituem um auxiliar indispensável ao ensino, quer seja o ensino clássico, de natureza presencial, quer seja o ensino à distância.
Ensino a distância ou educação a distância, são denominações utilizadas para conceituar a modalidade de educação em que as atividades de ensino-aprendizagem ocorrem sem que, necessariamente, alunos e professores estejam reunidos num mesmo lugar à mesma hora.
O conceito de ensino à distância é bastante antigo. As primeiras iniciativas de educação a distância podem ser representadas pelos cursos que utilizavam a correspondência tradicional (os cursos por correspondência), para a comunicação entre professores e alunos. Nesse sentido, os mais puristas e muitos historiadores preferem admitir que o ensino a distância remonta à antiguidade, com as cartas que Platão enviava aos seus discípulos, contendo segmentos do seu pensamento filosófico.
Independente dos créditos consagrados pelos historiadores, podemos afirmar que a educação a distância é um recurso bastante antigo.
Em 1984, um levantamento mundial, constatou que mais de 80 países desenvolviam projetos de ensino à distância, utilizados por mais de dois milhões de estudantes distribuidos por cerca de 670 programas de ensino à distância, ministrados em 26 idiomas. Estimou-se, à época, que os dados correspondiam à aproximadamente 1/3 dos cursos realmente existentes, devido à falta de informações referentes à cerca de 2/3 das instituições consultadas. A velocidade do crescimento da Internet é de tal ordem que, nos dias atuais, esses números devem estar multiplicados várias vêzes. A rede mundial de computadores já unificou, praticamente, todas as regiões do globo, incluindo-se a Antártida e outras áreas de acesso mais difícil.
O desenvolvimento dos meios de comunicação propiciou a sua utilização cada vez mais ampla, nas atividades de educação à distância. Desse modo, cada um a seu tempo, o rádio, a televisão, os computadores e por último, a internet constituiram-se em valiosos meios para o estabelecimento de diversas modalidades de ensino a distância.
A educação a distância representa um importante elemento na massificação do ensino, reduzindo substancialmente seus custos, sem prejuízo da qualidade. Um pequeno estudo recente, com a aplicação da internet como ferramenta de ensino, mostrou que os estudantes que usaram a internet para o aprendizado a distância tiveram aproveitamento cerca de 20% superior ao dos estudantes que fizeram os cursos presenciais, da maneira tradicional.
No Brasil, os primeiros tempos do ensino a distância foram vistos com alguma reserva, em virtude da má fama adquirida pela proliferação desordenada dos "Cursos por Correspondência" que, em muitos casos, não tinham nenhuma estrutura didática ou qualquer componente pedagógico. Consistiam, na verdade, na simples venda de apostilas de qualidade duvidosa, entregues por via postal. Apesar da má impressão inicial, o ensino a distância no Brasil floresceu e conta hoje com iniciativas sérias, como os projetos pioneiros desenvolvidos por diversas universidades e outras instituições.
Países desenvolvidos e em desenvolvimento tem utilizado a educação a distância em grande escala, com enorme aproveitamento, contribuindo sobremodo para a formação, o aperfeiçoamento e a qualificação da mão de obra, com grande economia de custos.
A educação a distância é regulamentada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que determina o reconhecimento oficial dos cursos a distância ministrados pelas instituições credenciadas. Os certificados e diplomas emitidos pelas instituições credenciadas tem, portanto, validade legal para todos os seus efeitos, em todo os território nacional.
O espetacular crescimento da internet contribuiu acentuadamente para democratizar o ensino a distância. A modalidade de ensino a distância mais eficaz, antes da internet era, provavelmente, o ensino via televisão, extremamente caro e difícil de ser produzido. Além disso, requer a reunião dos estudantes em local e horário pré-estabelecidos e tem algumas das desvantagens do ensino convencional, como por exemplo, a baixa interatividade.
A internet permitiu uma enorme redução dos custos da produção do material de ensino, além de oferecer diversas ferramentas de grande utilidade, que incluem recursos de áudio, vídeo e multimídia.
A educação a distância, portanto, constitui-se num recurso de extrema importância para atender a grandes contingentes de alunos de forma mais efetiva que outras modalidades, ou para atender a pequenos contingentes de alunos residentes em áreas dispersas e distantes dos grandes centros geradores ou difusores do conhecimento. Além disso, tem dotado as instituições educacionais de condições para atender às novas demandas por ensino e treinamento ágil e eficaz. A educação à distância não compete com a educação presencial convencional e nem a substitui. Ao contrário, tem seu próprio espectro de atuação e pode, com grande sucesso, complementar o ensino convencional, em todos os níveis, sempre que necessário.
A internet é a grande propulsora do ensino a distância nos dias atuais. Os demais veículos de comunicação perderam importância, face ao conjunto de benefícios que a internet concede. O ensino a distância mediante o emprego dos recursos da internet é generica e internacionalmente conhecido como "E-learning", denominação que devemos manter, por falta de um equivalente mais adequado ao nosso idioma.
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