Aplicações do ECMO / ECLS

Assistência Cardiopulmonar Prolongada

O ECMO e as suas múltiplas modificações podem ser empregados em uma grande variedade de situações clínicas em que os tratamentos convencionais são insuficientes para a recuperação dos pacientes. Essa tecnologia é de grande utilidade no tratamento de enfermidades graves em neonatos, outros pacientes pediátricos e adultos. Relacionamos abaixo, as principais situações em que o ECMO (e suas modificações) têm sido utilizadas com sucesso.

Devemos inicialmente considerar que o ECMO é um procedimento de exceção, cujas indicações incluem a falência de todas as demais modalidades de tratamento existentes. A observação de grupos de pacientes com indicação para o emprego do ECMO e que, por diversas circunstâncias, não puderam ser tratados com essa tecnologia mostra índices de mortalidade de 80-100%. Portanto, a avaliação dos resultados em termos de mortalidade é um indicador adequado da eficácia do tratamento. Sem dúvida, a avaliação da qualidade de vida dos pacientes que sobrevivem ao uso do ECMO é, do mesmo modo, de importância fundamental para o completo conhecimento da eficácia do método.

Os detalhes das indicações, dos protocolos de tratamento e os resultados obtidos são bastante diferentes, quando consideramos o emprego do ECMO para a assistência respiratória e o seu uso para a assistência da função cardíaca. Isso se deve, sem qualquer dúvida, às diferenças na capacidade de restauração das funções dos órgãos acometidos, pulmões e coração. A insuficiência funcional dos pulmões, muito frequentemente, preserva a sua estrutura anatômica, enquanto a lesão anatômica do coração, mais frequentemente é a causa da sua insuficiência funcional. Portanto, a recuperação funcional do coração após uma injúria severa é mais difícil. Além disso, há casos em que o comprometimento cardíaco induz um certo grau de comprometimento pulmonar, resultando a necessidade de prestar assistência mecânica cardiopulmonar, para que a recuperação dos pacientes se torne possível ou, para que as chances de recuperação aumentem.

Apesar de algumas exceções, de um modo geral podemos dizer que o ECMO (ou mais amplamente, o ECLS) é indicado em casos de insuficiência respiratória aguda severa e/ou insuficiência cardíaca aguda severa em que há possibilidade de reversão da injúria que leva à insuficiência funcional do órgão. São exemplos clássicos a pneumonia por aspiração de mecônio nos recém nascidos, as pneumonias severas e extensas por vírus, bactérias ou fungos e a disfunção miocárdica após cirurgia cardíaca, dentre outras.

Na atualidade, os resultados obtidos com a avaliação do emprego do ECMO em 170 instituições registradas na ELSO (Extracorporeal Life Support Organization) correspondem a mais de 35.000 casos, representando um total de 24.000 casos de neonatos, 7.000 casos pediátricos (com idades acima de 30 dias) e 2.000 adultos são mostrados na tabela abaixo:

Indicações para o ECMO/ECLSSobreviventes
  Insuficiência respiratória em neonatos80%     
  Insuficiência respiratória em crianças maiores60%     
  Insuficiência respiratória em adultos50%     
  Insuficiência cardíaca em crianças45%     
  Insuficiência cardíaca em adultos40%     

Em resumo, e de uma maneira geral, podemos considerar que o tratamento pelo ECMO (ECLS) está indicado nas formas severas de insuficiência respiratória e de insuficiência cardíaca potencialmente reversíveis, em pacientes sem comprometimento do sistema nervoso central. As equipes mais experientes com o emprego dessa tecnologia aceitam pacientes com comprometimento das funções renais e hepáticas associadas, apesar dos maiores riscos que esses pacientes apresentam.

As principais contraindicações ao emprego do ECMO é a presença de injúria cerebral significativa e a potencial irreversibilidade das lesões pulmonares e/ou cardíacas, de acordo com a experiência acumulada pelas equipes. Apesar disso e, especialmente em adultos, alguns centros internacionais mantém pacientes com lesões cardíacas irreversíveis em suporte pelo ECMO, enquanto esperam pelo aparecimento de um doador compatível, para a realização de um transplante. Essa aplicação é denominada ECMO como "ponte" para o transplante.

Criança em ECMO pós cirurgia cardíaca

A foto acima ilustra o caso de um lactente portador de uma cardiopatia complexa que foi submetido à cirurgia cardíaca em condições de emergência. Ao final da operação o coração apresentou contrações débeis, insuficientes para manter um suprimento adequado de oxigênio aos tecidos. A única alternativa viável foi a de instituir um sistema de suporte cardiopulmonar extracorpóreo com o ECMO. O bebê foi mantido com o suporte cardiopulmonar (ECMO) durante um perído de 10 dias. Ao final desse período o coração havia recuperado a força contrátil e o suporte circulatório foi progressivamente reduzido, até ser completamente removido. A criança sobreviveu ao procedimento e seu desenvolvimento transcorreu sem anormalidades. Milhares de crianças sobrevivem a operações cardíacas complexas graças aos recursos do suporte circulatório artificial, pelo uso dos oxigenadores de membranas.