Resgate e Transporte de Pacientes em ECMO

Devido à complexidade dos tratamentos, ao seu custo elevado e à necessidade de uma equipe multidisciplinar especialmente treinada, em que predominam os enfermeiros de terapia intensiva e os perfusionistas (consultores ou participantes permanentes da equipe), os procedimentos de Assistência Cardiopulmonar Extracorpórea Prolongada (ACEP), como são mais conhecidos os procedimentos de ECMO, são realizados em Unidades Especializadas, situadas em hospitais terciários. Essas unidades especiais recebem pacientes de uma ampla região geográfica para aglutinar e otimizar o uso dos recursos humanos e materiais disponíveis. Em virtude dessas particularidades, um sistema de transporte e/ou resgate deve ser previamente estabelecido e seus participantes treinados para realizar o transporte dos pacientes com os menores riscos possíveis.

A decisão de transportar um paciente para um centro de ECMO é tomada após duas outras decisões mais importantes e relacionadas. A primeira decisão a ser tomada envolve a avaliação conjunta da equipe que cuida do paciente e que, em sua opinião, esgotou todos os recursos terapêuticos disponíveis, com a equipe do centro de ECMO. A avaliação conjunta vai determinar se o paciente será ou não aceito na unidade de ECMO. Essa decisão é baseada em dados científicos, na avaliação completa do paciente e na experiência pregressa da equipe da unidade de ECMO.

A imagem ao lado ilustra com riqueza de detalhes a complexidade do transporte de um paciente em tratamento com o ECMO. Uma vez decidido que o paciente é candidato ao tratamento e seu estado clínico está de acordo com o protocolo de indicações em uso pela unidade de ECMO, a equipe instala o sistema de ECMO. O cirurgião faz as canulações necessárias, o perfusionista ou o especialista em ECMO prepara a máquina e o procedimento é iniciado. A enfermagem especializada inicia a monitorização do paciente e do equipamento de ECMO.

É recomendável que a equipe aguarde uma ou duas horas ou até a estabilização hemodinâmica e dos gases sanguíneos, antes que sejam tomadas as medidas para o transporte do paciente até a unidade de ECMO. Dependendo da distância e dos recursos disponíveis para o transporte, esse pode ser realizado por ambulâncias de resgate adaptadas para o ECMO ou por via aérea que pode incluir helicópteros ou aviões de pequeno porte. Nos grandes centros, as zonas de tráfego intenso devem ser evitadas e, como é frequente a existência de heliportos, o transporte por helicóptero é muito usado. Nos centros menores, apenas se dispõe de ambulâncias de resgate e as longas distâncias devem ser percorridas, evitando-se ao máximo as áreas de congestionamentos frequentes.

Com o objetivo de economizar a utilização dos recursos da unidade de ECMO, apenas um membro (ou dois, no máximo) vai até o hospital em que o potencial candidato ao tratamento se encontra e avalia o paciente juntamente com a equipe local. Esse membro tem autoridade para aceitar ou negar o emprego do ECMO, em conformidade com as rotinas e os protocolos da unidade de ECMO a que pertence. Apenas se e quando o paciente é aceito para o tratamento, a unidade completa de transporte é mobilizada.

O protocolo para o transporte do paciente, obviamente inclui o emprego de um sistema compacto movido a baterias capaz de ser transportado em um único console. Alguns sistemas para o ECMO neonatal são acoplados à parte inferior de um berço de pequenas dimensões, tornado o transporte bastante simples. A ambulância é aparelhada como uma UTI móvel e dispõe de todos os insumos e medicamentos que possam ser necessários ao paciente durante o seu transporte até a unidade de ECMO.

Há especialistas em transporte de pacientes em ECMO, capazes de manter o sistema funcionando em perfeitas condições e, desse modo, preparados para lidar com qualquer eventual ocorrência.

Como vemos, o ECMO não é uma atividade que permite improvisos ou adaptações. Os profissionais participantes desses tratamentos são especificamente treinados para o exercício das suas atribuições e devem ser capazes de realizar um trabalho em equipe com dedicação, competência e equilíbrio emocional.

Criança em ECMO pós cirurgia cardíaca

A foto acima ilustra o caso de um lactente portador de uma cardiopatia complexa que foi submetido à cirurgia cardíaca em condições de emergência. Ao final da operação o coração apresentou contrações débeis, insuficientes para manter um suprimento adequado de oxigênio aos tecidos. A única alternativa viável foi a de instituir um sistema de suporte cardiopulmonar extracorpóreo com o ECMO. O bebê foi mantido com o suporte cardiopulmonar (ECMO) durante um perído de 10 dias. Ao final desse período o coração havia recuperado a força contrátil e o suporte circulatório foi progressivamente reduzido, até ser completamente removido. A criança sobreviveu ao procedimento e seu desenvolvimento transcorreu sem anormalidades. Milhares de crianças sobrevivem a operações cardíacas complexas graças aos recursos do suporte circulatório artificial, pelo uso dos oxigenadores de membranas.