DRENAGEM VENOSA COM O AUXÍLIO DE VÁCUO (DVAV)
(Vacuum Assisted Venous Drainage - VAVD)
Maria Helena L. Souza & Decio O. Elias
A aplicação das técnicas de cirurgia minimamente invasivas à cirurgia cardíaca (Port Access e outras abordagens), prontificou a necessidade de assegurar a melhor visibilidade do campo operatório, seja através de incisões menores, seja mediante o emprego da videoscopia, seja pela otimização do equipamento e das técnicas da perfusão.
A drenagem venosa para a circulação extracorpórea pode se obtida mediante o emprego de cânulas de pequeno calibre, introduzidas através a veia femoral, desde que o livre escoamento do sangue por sifonagem (método convencional) seja substituido pela drenagem produzida pela aplicação de pressão negativa (vácuo), na linha venosa.
A drenagem venosa com o auxílio de vácuo (DVAV) favorece um amplo escoamento do sangue venoso ao oxigenador e propicia um campo operatório exangue, para a realização dos procedimentos cirúrgicos, com a melhor visibilidade possível.
Uma variedade de métodos capazes de potenciar a drenagem venosa através de cânulas de pequeno calibre, tem sido recomendadas para a cirurgia minimamente invasiva. Dentre estas destacam-se:
1. Uso de bomba não oclusiva na linha venosa;
2. Uso da bomba de roletes modificada;
3. Uso de linhas venosas duplas;
4. Uso de pressão negativa (vácuo), na linha venosa.
Vamos aprofundar nossa discussão à respeito desse último método, a drenagem venosa com o auxílio de vácuo (DVAV).
Para a DVAV é necessária a utilização de um reservatório venoso rígido. Uma das linhas dos aspiradores do reservatório venoso do oxigenador é conectada à uma fonte de vácuo da sala de operações; as demais linhas são instaladas como habitualmente e os "vents" são ocluidos.
São também necessários um dispositivo regulador da pressão negativa e um manômetro para aferir a pressão aplicada e permitir o controle da drenagem venosa.
O circuito da figura abaixo (adaptada de Medtronic Inc.), representa o sistema de drenagem venosa auxiliada pelo vácuo.
A fonte de vácuo é conectada à uma das entradas dos aspiradores existente no reservatório venoso do oxigenador, para estabelecer a pressão negativa no reservatório. As demais entradas de aspiradores são usadas como na perfusão convencional. Todas as demais entradas do reservatório (entradas para drogas, vents, etc...) são mantidas ocluidas, para permitir o estabelecimento de pressão negativa no interior do reservatório.
A válvula reguladora da fonte de vácuo e a linha de escape permitem limitar a pressão negativa a valores entre 20 e 50 mmHg, conforme o ponto mais adequado para a mais ampla drenagem. O monitor de pressão da linha venosa permite o controle fiel das pressões responsáveis pelo escoamento do sangue para o reservatório do oxigenador.
Com o uso concomitante dos aspiradores (pressão positiva) há o risco de pressurização do sistema e o consequente bombeamento de ar para a linha venosa. A maioria dos reservatórios tem válvulas de alívio de pressão positiva no seu interior que previnem aquela ocorrência. Se necessário a pressão positiva no interior do reservatório pode ser aliviada manualmente, simplesmente soltando o clamp que oclui a linha de escape ("vent").
Um cuidado adicional importante consiste em impedir o fechamento inadvertido do vácuo. O funcionamento dos aspiradores pode criar uma significativa pressão positiva no reservatório, ao menos teoricamente capaz de produzir embolia gasosa através a linha venosa. O ideal é que a aspiração pelos aspiradores convencionais seja mantida em um mínimo e a fonte de vácuo esteja permanentemente funcionando.
Quando se usa a bomba centrífuga (não oclusiva) no circuito da perfusão, nos momentos em que a bomba é desligada, é necessário um cuidado especial para evitar que o vácuo possa fazer o gás atravessar as membranas no sentido do sangue.
A pressão negativa deve ser bem controlada, para evitar que seu excesso colapse as paredes venosas e reduza a drenagem do sangue.
Quando usado adequadamente, o sistema é seguro e não acrescenta riscos ao procedimento.
Medtronic, Sorin Biomedical, Gish e Baxter, dentre outras empresas tem sistemas de DVAV especialmente construídos, com válvulas de escape, que acrescentam bastante segurança aos procedimentos.
COMENTÁRIOS:
A mais ampla difusão das técnicas de cirurgia minimamente invasiva, mediante o uso de vias de acesso menores ou mediante o emprego da videoscopia, tem prontificado a utilização de cânulas venosas de pequeno calibre em que a drenagem por sifonagem, como nas técnicas convencionais, é insuficiente para manter um fluxo de perfusão adequado e, ao mesmo tempo, drenar as cavidades cardíacas.
A aplicação de vácuo (pressão negativa) à linha venosa, proporciona um modo simples e eficiente de auxiliar a drenagem venosa. A criteriosa monitorização da pressão negativa é essencial à segurança destes procedimentos.
Novos reservatórios especialmente desenhados para o uso na DVAV facilitam sobremodo a aplicação da técnica e acrescentam segurança adicional aos procedimentos.
Decio Elias & Maria Helena L. Souza
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