TEMAS DE ATUALIZAÇÃO

HEPARINA NA PERFUSÃO PEDIÁTRICA - ESTUDO COMPARATIVO.

Existem duas condutas para a administração e controle da heparina na perfusão
pediátrica: a administração empírica, de doses previamente estabelecidas,
monitorizada pelo Tempo de Coagulação Ativado (TCA) e a administração
baseada na concentração da heparina no sangue circulante.

V. Olshove e R. Tallman coordenaram uma comparação entre os dois métodos,
em um estudo multicêntrico que incluiu 5 instituições.

INTRODUÇÃO

O uso do TCA para monitorizar o efeito anticoagulante da heparina é difícil, devido à
variabilidade da resposta dos pacientes e da influência da hemodiluição e da hipotermia,
apesar das tentativas de padronizar o teste mediante o emprego de uma relação
dose-resposta, como a curva proposta por Bull e colaboradores.

Diante daqueles inconvenientes, alguns autores buscam controlar a heparina e seu
efeito anticoagulante baseados na concentração plasmática da heparina. Observou-se
que as necessidades de heparina são maiores quando se monitoriza a concentração
sanguínea. Além disso, a população pediátrica requer proporcionalmente mais heparina
que os pacientes adultos.

As duas modalidades de controle da heparinização foram comparadas.

MATERIAL E MÉTODOS

Cinco hospitais com programas de cirurgia cardíaca pediátrica participaram do estudo.
Apenas pacientes com peso igual ou inferior a 20 kg foram envolvidos no estudo.
Em dois hospitais a heparinização foi orientada pelo TCA obtido com o Hemocron. Nos
outros três hospitais, a heparinização dos pacientes foi controlada pela concentração da
heparina, com o emprego do Heparin Management System (HMS). Todos os pacientes
de cada grupo foram submetidos ao mesmo protocolo.

Os dois grupos de pacientes foram comparáveis. Houve 46 pacientes no grupo do TCA e
49 pacientes no grupo HMS.

RESULTADOS

Não houve diferenças apreciáveis nos dois grupos de pacientes. Os pacientes do grupo
HMS receberam mais heparina (16,6 mg/kg/min) do que os pacientes do grupo do TCA
(9,5 mg/kg/min). As doses de protamina e o volume das perdas sanguíneas, contudo, foram
idênticos nos dois grupos.

CONCLUSÃO

O presente estudo não demonstrou diferenças entre os dois principais métodos de
admnistração e controle da heparina, na circulação extracorpórea pediátrica. Embora
maiores avaliações sejam necessárias, o efeito anticoagulante da heparina na CEC
pode ser monitorizado igualmente por qualquer dos dois métodos estudados.

The J Extracorp Technol 32,2, 84-88, 2000

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