TEMAS DE ATUALIZAÇÃO

MINICIRCUITO DE PERFUSÃO COM DRENAGEM VENOSA À VÁCUO.
VIABILIDADE DE UM PERFUSATO ASSANGUÍNEO NOS NEONATOS.

Lau CL; Posther KE; Stephenson GR; Lodge A; Lawson JH; Darling EM;
Davis RD Jr; Ungerleider RM; Jaggers J.
Department of Surgery, Duke University Medical Center, Durham, North
Carolina 27710, USA.

A circulação extracorpórea convencional em neonatos resulta num aumento
da hemodiluição e das necessidades de transfusão. Poucos progressos tem
sido feitos na perfusão para a população neonatal. Há evidências de que
o aumento do volume do priming e a transfusão de derivados do sangue
acentuam a resposta inflamatória à CEC e aumentam a disfunção miocárdica
e pulmonar.

Nós desenhamos um circuito de perfusão miniaturizado que utiliza a drenagem
venosa auxiliada pelo vácuo (DVAV), com a finalidade de reduzir o volume do
priming e evitar a necessidade de transfusões.

O objetivo do presente estudo foi de avaliar a segurança e a eficácia deste
sistema miniaturizado de perfusão e determinar a viabilidade de se utilizar
um prime assanguíneo.

Dez suinos com 1 semana de vida foram randomizados em 5 minicircuitos e
5 circuitos convencionais de perfusão. Os animais foram perfundidos com
fluxos de 100 ml/kg/min, resfriados a 28 graus C, submetidos à 10 minutos
de clampeamento aórtico com parada cardioplégica, reaquecidos a 37 graus
C, desmamados da perfusão e submetidos à ultrafiltração modificada (UFM)
por aproximadamente 10 minutos. Esta metodologia foi escolhida por simular
a situação habitual da perfusão clínica.

O limite para a transfusão de sangu foi um hematócrito < 15% durante a
perfusão.

Amostras de soro foram coletadas antes da CEC, 15 minutos após o início
da CEC, imediatamente após o final da CEC e imediatamente após a UFM.

Os índices de hemólise (TGOS, DHL), fator-alpha de necrose tumoral (TNFalpha)
e os parâmetros fisiológicos da inflamação foram medidos.

A necessidade global de transfusão de sangue foi significativamente menor nos
animais que usaram o mini-circuito, em comparação com os animais do circuito
convencional (47.0+/-5.8 ml vs 314.2+/-31.6 ml; p< 0.0001). A única necessidade
de transfusão nos animais do mini-circuito foi para repor o volume coletado nas
amostras.

Durante o estudo a PAM (p=0.004), a complacência pulmonar estática (p=0.04),
as plaquetas (p=0.0003) e os leucócitos (p=0.003) reduziram significativamente
nos dois grupos.
O teor de água pulmonar (p=0.02), os níveis de TNFalpha (p=0.05) e a TGOS
(p=0.009) aumentaram significativamente durante o estudo, nos dois grupos
de animais.

Dentre todos os parâmetros testados, exceto pela necessidade de transfusão
e o valor do hematócrito após a CEC, não houve diferenças significativas entre
os dois circuitos.

A DVAV torna possível o prime assanguíneo nos neonatos. Quando usada neste
estudo para miniaturizar o circuito convencional da CEC, a DVAV com um console
de bomba reconfigurado para neonatos não resultou em efeitos detrimentais e
permitiu uma redução acentuada dos volumes do priming e das necessidades
de transfusão.

Perfusion 1999 Sep;14(5):389-96

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