TEMAS DE ATUALIZAÇÃO

ÓXIDO NÍTRICO E RESISTÊNCIA VASCULAR NA CEC

Artigo Original:

Role of nitric oxide in a temperature dependent regulation of systemic vascular resistance in cardiopulmonary bypass.
Ohata T; Sawa Y; Kadoba K; Kagisaki K; Suzuki K; Matsuda H.
First Department of Surgery, Osaka University Medical School
Osaka, Japan
Eur J Cardiothorac Surg 18: 342-347, 2.000

Introdução

Tem sido publicado que a circulação extracorpórea causa alterações da resistência vascular sistêmica (RVS) dependentes da temperatura, já que a CEC induz vasoconstrição sistêmica, em condições de hipotermia. Por outro lado, uma RVS relativamente baixa acompanhada de um estado hiperdinâmico ocorre frequentemente na perfusão normotérmica. As alterações da RVS na circulação extracorpórea tem sido atribuidas à hemodiluição, à redução da viscosidade do sangue, hiperpotassemia, reflexos baroreceptores e, especialmente, alterações nas substâncias vasoativas. Entretanto, o fator-chave destas substâncias vasoativas, em termos de RVS durante a CEC, permenece desconhecido. O óxido nítrico (NO) é um dos vasodilatadores mais potentes entre as substâncias vasodilatadoras conhecidas. Alguns estudos tem demonstrado apenas as alterações dos níveis séricos do NO durante a CEC, mas poucos estudos tem elucidado o seu papel na regulação da resistência vascular periférica, durante e após a CEC. O óxido nítrico pode, portanto, regular a resistência vascular, durante e após a perfusão. O presente estudo foi realizado para investigar se o NO pode desempenhar um papel central na regulação da RVS em relação com as alterações da temperatura, durante a CEC.

Objetivos

O óxido nítrico é o vasodilatador mais potente entre as substâncias vasoativs mediadas pela inflamação. A perfusão normotérmica (morna ou tépida) tem sido associada à ocorrência de baixa RVS e o óxido nítrico pode também ser um dos participantes. Não há estudos clínicos prévios elucidando o papel do NO na regulação da RVS dependente da temperatura na CEC.

Métodos

Trinta e um pacientes submetidos à cirurgia valvar foram randomizados em dois grupos comparáveis. Um dos grupos consistiu de pacientes submetidos à perfusão hipotérmica a 28 graus centígrados (n=14 pacientes) e o outro grupo (n=17 pacientes) foi submetido à perfusão normotérmica ou tépida, a 34 graus centígrados.

Os níveis séricos de óxido nítrico (NO2- + NO3-), prostaglandina E2, bradicinina, 6-ceto-PGF1alfa, tromboxano B2 e endotelina 1, bem como a RVS foram medidos antes, no início, 12 e 24 horas após a CEC.

Resultados

O padrão das alterações no índice da RVS e nos níveis do óxido nítrico foi significativamente diferente nos dois grupos (P=0.0008, P=0,02). O grupo da perfusão tépida mostrou os níveis do índice de RVS significativamente mais baixos, após a CEC, do que o grupo da perfusão hipotérmica, conforme os dados da tabela abaixo:




As curvas que representa a variação do índice da RVS estão representadas na figura 1
A comparação dos índices da RVS na figura 1 mostra que no grupo da perfusão tépida (SVR-T) os valores foram significativamente mais baixos que no grupo da perfusão hipotérmica (SVR-H).



Os níveis de óxido nítrico foram significativamente mais elevados no início, 12 e 24 horas após a CEC no grupo da perfusão normtérmica do que no grupo da perfusão hipotérmica, conforme ilustra a figura 2.
As alterações do óxido nítrico antes e depois da CEC entre os grupos tépido e hipotérmico. O aumento dos níveis do NO foram significativos no grupo da perfusão tépida.


Os níveis de prostaglandina E2, no grupo da perfusão tépida foram significativamente mais elevados imediatamente após a CEC, em relação ao grupo da perfusão hipotérmica (37,3 +/- 20,0 pg/ml versus 15,8 +/- 8,6 pg/ml P=0.02). Os níveis da PGE2 decresceram progressivamente e, 12 horas após a CEC, eram idênticos nos dois grupos de pacientes.


Ao contrário do comportamento das prostaglandinas, os níveis séricos da bradicinina na perfusão hipotérmica foram significativamente mais elevados que os níveis da perfusão tépida ou normotérmica, logo após a CEC (2,40 +/- 0,32 log 10 pg/ml versus 1,85 +/- 0,21 log10 pg/ml P=0,005).

Conclusões
Os dados do trabalho demonstram que os níveis de óxido nítrico na perfusão normotérmica foram significativamente mais elevados que na perfusão hipotérmica e a concentração de óxido nítrico correlaciona com o valor da RVS. Assim, o óxido nítrico pode desempenhar um papel central na regulação da RVS dependente da temperatura, durante a CEC.

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