DEPENDÊNCIA DA DOSE DE L-ARGININA NA PROTEÇÃO DO MIOCÁRDIO
NEONATAL: O PARADOXO DO ÓXIDO NÍTRICO
Kronon MT; Allen BS; Halldorsson A; Rahman S; Wang T; Ilbawi M.
Division of Cardiovascular Surgery, The Heart Institute for Children,
Hope Children's Hospital, Oak Lawn, Ill.
OBJETIVOS:
Estudos experimentais recentes sugerem que o enriquecimento das soluções
cardioplégicas com L-arginina melhora a proteção do miocárdio pelo aumento da
produção de óxido nítrico. O óxido nítrico, entretanto, também produz o radical
livre peroxinitrito; assim, aqueles efeitos benéficos podem ser
dose-dependentes, especialmente em corações vulneráveis.
MÉTODOS
Quinze suinos recém nascidos foram submetidos à hipóxia com um respirador por 60
minutos (FiO2=8% - 10%) seguida de 20 minutos de isquemia normotérmica com a
circulação extracorpórea. Os animais foram protegidos por 70 minutos com doses
múltiplas de solução de cardioplegia sanguínea. Em 5 animais (grupo 1),
a solução cardioplégica não continha L-arginina, em 5 (grupo 2), a solução
cardioplégica foi enriquecida com 4 mmol/L de L-arginina e nos outros 5 animais
(grupo 3) a dose de L-arginina foi de 10 mmol/L.
A função miocárdica foi avaliada por meio de curvas de pressão e volume e o
resultado foi expressso como o percentual do grupo controle (grupo 1).
A resistência vascular coronária e a produção de compostos conjugados foram
medidas durante a infusão das soluções cardioplégicas.
RESULTADOS:
Comparada com a proteção conferida pela solução sem L-arginina, a adição de uma
concentração de 4 mmol/L de L-arginina melhorou significativamente a proteção
do miocárdio, resultando em completo retorno da função sistólica (elastância
sistólica final 38% vs 100%; P < .001 vs 4 mmol/L L-arginina) e do trabalho
sistólico dependente da pré-carga (40% vs 100%; P < .001 vs 4 mmol/L
L-arginina); mínimo aumento da tensão diastólica (239% vs 158%; P < .001 vs
4 mmol/L L-arginina); e menor resistência vascular coronariana, produção de
dienos conjugados e atividade da mieloperoxidase P < .001 vs 4 mmol/L
L-arginina e todos os casos).
Por outro lado, a solução cardioplégica suplementada com uma dose de
L-arginina de 10 mmol/L (grupo 3) não apresentou aqueles efeitos benéficos
e resultou em depressão da função sistólica (elastância sistólica final
41% +/-2%; P < .001 vs 4 mmol/L L-arginina) e do trabalho sistólico
dependente da pré-carga (40% +/- 2%; P < .001 vs 4 mmol/L L-arginina);
tensão diastólica aumentada (246% +/- 7%; P < .001 vs 4 mmol/L L-arginina);
e maior produção de dienos conjugados, atividade de mieloperoxidase e
resistência vascular coronariana (P < .001 vs 4 mmol/L L-arginina em
todos os casos).
CONCLUSÕES:
O enriquecimento das soluções cardioplégicas com uma concentração de
4 mmol/L de L-arginina melhora significativamente a proteção do miocárdio
pela redução da formação de radicais livres pelos leucócitos
e, desse modo preserva a função vascular e miocárdica. Esses efeitos
benéficos, entretanto, dependem da dose, porque a concentração de
10 mmol/L de L-arginina aumentou a produção de radicais livres e resultou
em disfunção vascular e miocárdica.
J Thorac Cardiovasc Surg 1999 Oct;118(4):655-664
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