ULTRAFILTRAÇÃO MODIFICADA EM PACIENTES ADULTOS
A Ultrafiltração Modificada Reduz a Morbidade Pós Cirurgia Cardíaca em Adultos
Giovanni Battista Luciani, MD; Tiziano Menon, CP; Barbara Vecchi, MD; Stefano Auriemma, MD; Alessandro Mazzucco, MD
Objetivos
A circulação extracorpórea contribui para a morbidade pós cirurgia cardíaca mediante a produção de uma reação inflamatória sistêmica. A ultrafiltração modificada (UFM) é uma técnica capaz de remover a sobrecarga líquida e os mediadores inflamatórios associados ao uso da circulação extracorpórea. Foi demonstrado que a UFM reduz a morbidade após a cirurgia cardíaca em crianças, mas o impacto nos procedimentos cirúrgicos realizados em adultos não é conhecido.
Métodos e Resultados
Quinhentos e setenta e três (573) pacientes adultos consecutivos foram randomizados prospectivamente para receber ultrafiltração após a circulação extracorpórea (tratamento) ou não receber a ultrafiltração (controle). O escore de Parsonnet foi usado para avaliar a severidade das condições clínicas dos pacientes. A análise foi realizada com o teste t de Student ou o teste U de Mann-Whitney para as variáveis contínuas e o teste exato de Fisher ou Pearson 2, para as variáveis discretas.
A mortalidade hospitalar foi de 2,5% (7 de 284) no grupo do tratamento versus 3,8% (11 de 289) no grupo controle (P=0,357). A morbidade hospitalar foi menor no grupo tratado com a UFM (66 de 284 [23,2%] versus 117 de 289 [40,5%], P=0,0001). A morbidade cardíaca foi semelhante (26 de 284 [9,1%] versus 35 de 289 [12,1%], p=0,251), enquanto significativamente menores taxas de complicações respiratórias (20 de 284 [7,0%] versus 36 de 289 [12,5%], P=0,029), neurológica (5 de 284 [1,8%] versus 14 de 289 [4,8%], P=0,039), e
gastrointestinais (0 de 284 versus 4 de 289 [1,4%], P=0,044) foram encontradas nos pacientes tratados.
As necessidades de transfusões também foram menores nos pacientes tratados (1,66+/-2,6 versus 2,25+/-3,5 U/paciente, P=0,039). A duração da internação na terapia intensiva (39,3 +/-49,2 versus 46,3+/-72,8 horas, P=0,218) e a internação hospitalar (7,6+/-3,5 versus 7,9+/-4,4 dias, P=0,372) foram comparáveis.
Conclusões
A UFM pós circulação extracorpórea está associada à uma menor prevalência de morbidade precoce e menor necessidade de transfusões. O impacto na internação hospitalar necessita análises subsequentes. A aplicação de rotina da UFM pós cirurgia cardíaca em adultos está indicada.
Fonte: Circulation. 2001;104:I-253.
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