Pocket Book - Rotinas & Protocolos
Home Sala de Chat Cursos Disponíveis Ensino Online Fale Conosco

INTRODUÇÃO - CONCEITOS GERAIS


A melhora progressiva dos resultados da cirurgia cardíaca, nas últimas décadas, pode ser atribuída aos progressos ocorridos nas diversas tecnologias empregadas, como a circulação extracorpórea, a monitorização e o suporte cardiorespiratório nas unidades de terapia intensiva, ao desenvolvimento de novas e melhores técnicas operatórias e ao melhor treinamento de todo o pessoal diretamente envolvido na realização das operações. Nessa situação, inclui-se o perfusionista.

A circulação extracorpórea tem uma história de aproximadamente 50 anos, desde a sua primeira aplicação em cirurgia cardíaca, durante os quais não parou de progredir e amadurecer. Nos dias atuais a circulação extracorpórea é uma tecnologia bem definida que deve ser praticada por especialistas. Devido à multiplicidade de fatores envolvidos, a melhor prática da circulação extracorpórea é obtida com a adoção de um conjunto de "standards" para a realização das tarefas comuns ou repetitivas.

Rotinas descrevem linhas gerais de conduta para determinados procedimentos frequentemente utilizados. As rotinas tem o objetivo de padronizar as condutas, facilitando a sua rápida aplicação por todos os indivíduos envolvidos com os procedimentos.

Protocolos detalham cada passo de uma rotina ou de um procedimento específico, orientando inuciosamente a sua aplicação.

A experiência demonstra que nas atividades em que há envolvimento e participação coletiva, como na Cirurgia Cardíaca, a existência de um conjunto de rotinas e protocolos, contribui para um cuidado melhor e mais científico aos pacientes, além de assegurar a continuidade dos tratamentos ministrados.

As rotinas e os protocolos servem de orientação geral e de padronização dos procedimentos e não devem substituir o julgamento e a avaliação clínicas baseados na experiência individual ou da equipe. Ao contrário, as rotinas devem refletir o progresso e a maior experiência adquirida pelos profissionais encarregados da sua aplicação.

Os melhores resultados da cirurgia com circulação extracorpórea são obtidos quando há ampla integração e comunicação entre os diversos membros da equipe envolvidos no procedimento: cirurgião, anestesista, perfusionista e enfermeiros, na sala de operações e a equipe de terapia intensiva, durante a ministração dos cuidados pós-operatórios. O pós-operatório deve ser entendido como a continuação da aplicação de recursos terapêuticos iniciada na sala de operações e não como a etapa seguinte, independente da anterior.

A Circulação Extracorpórea é uma tecnologia em constante evolução, cujos princípios básicos se encontram bem estabelecidos. A circulação extracorpórea moderna deve substituir as funções do coração e dos pulmões e preservar a estrutura, o metabolismo e a função dos diversos órgãos da economia do paciente. Embora a perfusão possa desencadear numerosas e complexas respostas do organismo, a sua condução dentro de princípios fisiológicos atenua os efeitos indesejáveis e torna os procedimentos melhor tolerados pelos pacientes.

O resultado do tratamento cirúrgico das cardiopatias adquiridas e congênitas depende do diagnóstico pré-operatório detalhado e completo, da correção adequada das lesões existentes, do minucioso planejamento e condução da perfusão, da efetiva proteção do miocárdio e do meticuloso cuidado pós-operatório.

CIRURGIA CARDÍACA EM ADULTOS

A cirurgia cardíaca em pacientes adultos apresentou grandes progressos nos últimos anos. Muitos procedimentos deixaram de ser realizados, em virtude do aparecimento de técnicas invasivas como as angioplastias coronárias e de outros vasos, implantes de "stents", próteses endovasculares e valvoplastias, para citar apenas alguns. Procedimentos de cirurgia minimamente invasiva substituiram outros, de maior porte, na tentativa de eliminar ou minimizar algumas das complicações ou reduzir os tempos de recuperação e de internação hospitalar. A aplicação dessas novas modalidades de tratamento, por outro lado, fez surgir um outro tipo de pacientes cirúrgicos, como resultado das complicações dos procedimentos invasivos.

O aumento da vida média dos indivíduos, em consequência dos progressos sociais e do melhor controle de diversas doenças, tem contribuído para que uma população de pacientes idosos seja encaminhada para tratamento de cardiopatias próprias da idade. Estes pacientes serão cada vez mais frequentes e requerem cuidados especiais, de acordo com a fisiologia própria da sua faixa etária.

Uma nova economia, eminentemente voltada para os custos dos procedimentos, substitui a utilização mais liberal dos insumos médicos e cirúrgicos. A aplicação de rotinas e protocolos, torna-se cada vez mais importante, ao contribuir para a simplificação dos procedimentos, a recuperação mais rápida dos pacientes e a redução dos custos hospitalares.

Os pacientes submetidos à cirurgia do coração e dos grandes vasos intra-torácicos, diferem uns dos outros, pela natureza e severidade das suas lesões cardíacas. Diferem também dos demais pacientes cirúrgicos, pela natureza das técnicas operatórias e auxiliares empregadas, bem como pela possibilidade do comprometimento simultâneo de outros sub-sistemas orgânicos (nervoso, pulmonar, renal, etc.).

O resultado do tratamento cirúrgico de uma lesão cardíaca depende fundamentalmente, do diagnóstico pré-operatório correto, da condução adequada dos eventos da sala de operações e do manuseio pós-operatório. Os eventos da sala de operações são os mais importantes na determinação da evolução pós-operatória dos pacientes e estão relacionados na tabela abaixo.

Principais eventos da Sala de Operações

1. Procedimento anestésico
2. Perfusão
3. Proteção do miocárdio
4. Correção intra-cardíaca

A experiência tem demonstrado que o resultado final do tratamento cirúrgico depende dos eventos da sala de operações. O mais sofisticado protocolo de manuseio pós-operatório é, com frequência, insuficiente para corrigir distúrbios ou complicações produzidas por um tempo operatório inadequadamente conduzido. Por outro lado, um cuidado pós-operatório apenas superficial, pode comprometer o resultado de uma operação corretamente realizada, por mais simples que seja a cardiopatia tratada.

Todos os protocolos de manuseio nestas rotinas, seguem o conceito de sub-sistema, difundido por Kirklin, que considera o organismo humano como um sistema complexo, composto de numerosos sub-sistemas inter-relacionados. Uma intervenção intra-cardíaca pode determinar alterações no funcionamento do sub-sistema cardiovascular, mas também, nos sub-sistemas respiratório, nervoso central, renal ou digestivo. Portanto, é importante lembrar que o paciente cardíaco precisa ser avaliado em todos os seus sub-sistemas e não com a atenção voltada apenas para o coração.

CIRURGIA CARDÍACA PEDIÁTRICA

Um número de fatores interfere nos resultados obtidos com o tratamento cirúrgico das doenças cardiovasculares, principalmente nas crianças de baixa idade e peso corporal. A natureza da lesão do paciente, o gráu de comprometimento funcional, a presença de alterações secundárias pulmonares, ou de outros sub-sistemas, bem como do próprio miocárdio, afetam profundamente o curso e o manuseio intra-operatório e, desta forma, influenciam os resultados obtidos.

Pacientes portadores de PCA simples, Coarctação da Aorta, CIA tipo Secundum e CIV, por exemplo, representam um extremo de um espectro, no qual podemos pressupor um curso pós-operatório geralmente livre de intercurrências. Ao contrário, pacientes com grandes shunts E-D e hipertensão pulmonar, cardiopatias complexas, baixa performance miocárdica e desnutrição, representam o outro extremo. Estes pacientes requerem um manuseio meticuloso e podem desenvolver complicações de difícil manuseio.

Uma das grandes características das crianças submetidas à cirurgia cardíaca, é a facilidade com que os demais sub-sistemas podem ser afetados, por alterações primárias da função cardiovascular. As funções pulmonares, neurológicas, renais e hepáticas dependem da adequada e contínua nutrição e, colapsam rapidamente, diante de reduções do débito cardíaco. As crianças, principalmente o recém nato e o lactente, tem a sua homeostase mantida dentro de limites bastante estreitos que, quando ultrapassados, podem determinar alterações graves, não raro de difícil reversão.

A cirurgia e a perfusão no neonato tem particularidades ditadas pela fisiologia especial do organismo nos primeiros dias de vida. A imaturidade de diversos órgãos, a deficiência de fatores de coagulação ligados à vitamina K, as características funcionais do miocárdio, a presença da hemoglobina fetal, a facilidade de desenvolver hipoglicemia e hipocalcemia, devem todos ser considerados no planejamento, preparo e condução da anestesia, da perfusão, da proteção do miocárdio e da técnica operatória.

Nosso objetivo deve ser o de tornar cada vez mais verdadeiro o postulado de Kirklin: "No presente estágio do desenvolvimento da cirurgia cardíaca é importante, sob o ponto de vista prático, entender-se que há somente duas causas para o insucesso cirúrgico (incluindo-se o óbito hospitalar): a deficiência do progresso científico e o erro humano. Cada equipe deve, cuidadosa e objetivamente, analisar cada um dos seus óbitos para determinar o modo como transcorreu e, principalmente, a causa que o motivou".

À medida que as técnicas operatórias, de perfusão, de proteção do miocárdio e de pós-operatório são aperfeiçoadas, a morbidade e a mortalidade de muitas operações são reduzidas. Por outro lado, alguns pacientes apresentam-se em condições críticas, necessitando de operações longas ou complexas, concentrando diversos fatores de risco cirúrgico que exigem esforços especiais para a sua neutralização. A identificação de todos aqueles fatores permite o seu manuseio de uma forma dirigida, que aumenta as chances de sobrevida dos pacientes.

FATORES DE RISCO OPERATÓRIO

Alguns fatores de risco podem estar presentes em adultos e em crianças, como por exemplo a disfunção miocárdica. A maioria dos fatores de risco, contudo, são particulares e específicos à cada faixa etária. Por essa razão vamos listar separadamente os fatores de risco, cuja presença tem o potencial de aumentar a incidência e a severidade das complicações e a mortalidade dos procedimentos realizados. A presença de um ou mais fatores de risco deve alertar a equipe para a necessidade de medidas especiais, capazes de neutralizar cada fator de risco presente, sempre que possível.

FATORES DE RISCO EM PACIENTES ADULTOS

Os principais fatores de risco, capazes de modificar o curso trans e pós-operatório dos pacientes adultos operados, estão relacionados na tabela abaixo:

Fatores de Risco Operatório - Pacientes Adultos

1. Disfunção ventricular6. Disfunção renal
2. Hipertensão sistêmica e pulmonar7. Tempo de perfusão prolongado
3. Idade avançada e obesidade8. Alterações da coagulação
4. Complexidade da cardiopatia9. Injúria neurológica recente (AVC prévio)
5. Diabetes e Estado nutricional10. Inadequada Proteção Miocárdica

FATORES DE RISCO EM PACIENTES PEDIÁTRICOS

Os principais fatores de risco do tratamento cirúrgico das cardiopatias congênitas, ainda importantes em nosso meio estão relacionados na tabela abaixo:

Fatores de Risco Operatório - Pacientes Pediátricos

1. Disfunção ventricular6. Disfunção renal
2. Hipertensão pulmonar7. Tempo de perfusão prolongado
3. Idade e peso corporal baixos8. Alterações da coagulação
4. Complexidade da cardiopatia9. Injúria neurológica recente
5. Estado nutricional10. Inadequada proteção miocárdica

Os fatores de risco são aditivos em seus efeitos e podem interagir de forma imprevisível. A criteriosa identificação dos fatores de risco é fundamental para a seleção dos procedimentos mais adequados.

O perfusionista deve conhecer os pacientes, seus diagnósticos e dados biométricos, bem como os fatores de risco presentes, com o objetivo de planejar e ministrar a perfusão adequada às necessidades do paciente. Um perfusionista responsável e competente é um elemento valioso e capaz de somar, no contexto de uma equipe de cirurgia cardíaca. Sua presença inspira confiança e segurança e contribui decisivamente para um bom resultado do procedimento. Ao contrário, um perfusionista limitado, treinado apenas para manusear os controles da bomba, torna a equipe insegura e os bons resultados limitam-se em geral aos procedimentos mais simples e rápidos. Procedimentos mais elaborados requerem técnicas e táticas que um perfusionista com conhecimentos apenas "práticos" não está preparado para aplicar.

Voltar ao Topo da Página




Primeira PáginaPágina AnteriorPróxima PáginaÚltima PáginaHomepageÍndice dos Assuntos
Pocket Book - Rotinas e Protocolos de Circulação Extracorpórea
Maria Helena L. Souza & Decio O. Elias

HOME | ADMINISTRAÇÃO | INFO | FALE CONOSCO | LIVRO DE VISITAS | PUBLICIDADE
AGENDA LIVRO DE C.E.C. | CURSOS ONLINE | ARTIGOS | TESTE DO MÊS | BIBLIOGRAFIA
OS DEZ MAIS | TUTORIAIS | POCKET BOOK | ÁUDIO/VÍDEO | ATUALIZAÇÃO | HOT LINKS
DICAS & TRUQUES | PESQUISA/BUSCA | POCKET BOOK | COR NOTEBOOK | P. DIGEST
CARDIOLOGIA | PERFUSION NEWS | REVISTA LATINOAMERICANA | CLAP
CENTRO DE ESTUDOS DELTA RIO
Perfusion Line - Copyright 1997-2010
International Page on Extracorporeal Technology
Centro de Estudos de Circulação Extracorpórea
Webmaster
Todos os direitos reservados     -     Todos los derechos reservados      -      All rights reserved