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FLUXOS PARA A PERFUSÃO


* FLUXO ARTERIAL

Fluxo Arterial Teorico (FAT) para o início da perfusão, calculado com base nos fluxos recomendados de 2.000 a 2.400 ml/M2/min.

Usar os fluxos mais altos, normalmente mais fisiológicos para a perfusão.

Os valores abaixo indicados, mostram o fluxo mínimo e o fluxo máximo adequados para cada paciente, para o início da perfusão. Durante a perfusão cada paciente mostrará o seu fluxo máximo, pelo volume do retorno venoso. Via de regra, o fluxo máximo dos pacientes está dentro da faixa assinalada.

FLUXO ARTERIAL TEÓRICO

NEONATOS E LACTENTES (ATÉ 6 Kg.):

150 a 200 ml/Kg/min.

ENTRE 6 E 10 Kg. DE PESO:

100 a 150 ml/Kg/min.

CRIANÇAS ENTRE 11 E 20 Kg.:

80 a 100 ml/Kg/min.

ENTRE 21 E 40 Kg. DE PESO:

60 a 80 ml/Kg/min.

ACIMA DE 40 Kg. DE PESO:

40 a 60 ml/Kg/min.

* FLUXOS DE OXIGÊNIO (GÁS) NO OXIGENADOR

Iniciar a perfusão com uma relação de 1:1 entre o fluxo arterial e o fluxo de gás no oxigenador. A mistura de gases no oxigenador de membranas deve conter 80% de oxigênio (FiO2 = 0,8), para o início da perfusão. Ajustar o fluxo adequado de gás e a concentração de oxigênio para cada paciente pela análise da gasometria arterial.

Quando temos familiaridade com o oxigenador e conhecemos a sua capacidade de oxigenação, podemos iniciar a perfusão com FiO2 mais baixa, da ordem de 50 a 60% (0,5 a 0,6) e, do mesmo modo, ajustar os gases conforme seja necessário, ditados pela gasometria arterial (ou venosa se a SvO2 estiver elevada).

O fluxo de gás ideal no oxigenador é determinado pelo valor da PCO2 na gasometria arterial. O fluxo de gás no oxigenador determina a eliminação do CO2 do sangue e o valor da PCO2 não deve estar abaixo de 30 a 32 mmHg ou acima de 42 a 45 mmHg.

A oxigenação adequada (ou o consumo de oxigênio) do paciente pode ser verificada pela gasometria venosa. A saturação de oxigênio do sangue venoso deve estar acima de 70 a 75%.

FLUXOS DE GAS NOS OXIGENADORES DE MEMBRANAS:

Nos oxigenadores de membranas usam-se os misturadores de gás (Blender) que fazem uma mistura do oxigênio com ar comprimido, para ventilar o oxigenador. Estes oxigenadores permitem o controle independente da PO2 e da PCO2, que requerem muita atenção do perfusionista.

Iniciar a perfusão com o ajuste do Blender para 0.6 a 0.8. Isto significa que estamos injetando um gás com 60% a 80% de oxigênio. O fluxo do gás é calculado como nos oxigenadores de bolhas; utilizamos a mesma relação de 1:1 para o início da perfusão.

Nos oxigenadores de membranas o fluxo máximo de gás não deve ultrapassar a razão de 2:1, pelos riscos de rotura das fibras capilares.

CONTROLE DA PO2 NOS OXIGENADORES DE MEMBRANAS

Se a PO2 estiver abaixo de 100 mmHg. aumentamos a concentração de oxigênio no gás que ventila as membranas do oxigenador. A FiO2 deve ser variada em incrementos de 10% (0,1).

Se a pO2 estiver acima de 200 mmHg. diminuimos a concentração de oxigênio no gás injetado nas membranas do oxigenador.

Em geral obtemos um bom ajuste do pO2 com concentrações de oxigênio entre 0.6 e 0.8; raramente é necessário sair daquela faixa.



A PaO2 "ideal" para a perfusão está entre 120 e 160 mmHg. Valores mais baixos (abaixo de 100-120 mmHg) aumentam substancialmente os riscos de complicações devidas à hipóxia tissular, face à natureza do fluxo durante a perfusão e à sua redistribuição pelos mecanismos de auto-regulação. Do mesmo modo, uma PaO2 excessivamente elevada é desnecessária e, em certas ocasiões, pode ser detrimental (pode causar vasoconstrição em certos leitos vasculares e reduzir a oferta de sangue e de oxigênio).

CONTROLE DA PCO2 NOS OXIGENADORES DE MEMBRANAS

Se a PCO2 estiver abaixo de 30 mmHg, diminuimos o fluxo do gás injetado nas membranas do oxigenador. Estaremos alterando a relação inicial de 1:1.

Se a PCO2 estiver acima de 40 mmHg, aumentamos o fluxo do gás injetado nas membranas do oxigenador. Estaremos também alterando a relação inicial de 1:1.

Em resumo, nos oxigenadores de membranas, a PO2 se controla variando a quantidade de oxigênio na mistura do gás fornecida pelo Blender (misturador) e a PCO2 se controla variando o fluxo do gás fornecido pelo Blender.

As quedas importantes da PO2 sem razão aparente (Pressões da rede de gases, FiO2 e fluxo de gás adequados, ausência de vasamentos nas conexões ou no filtro da linha de gás) indicam defeito do sistema de oxigenação do oxigenador. Comunicar ao cirurgião para avaliar a necessidade de troca do oxigenador.

NOTA: Os oxigenadores de bolhas são ventilados com oxigênio puro (100%), sem mistura com ar. Nos oxigenadores de bolhas a tendência natural do CO2 é baixar muito e a PCO2 é controlada pelo fluxo de oxigênio.

CONTROLE DOS GASES (MEMBRANAS)

SITUAÇÃO

COMO CORRIGIR

AJUSTE DA PO2

PO2 acima de 200 mmHg

Reduzir FiO2

PO2 abaixo de 100 mmHg

Aumentar FiO2

AJUSTE DA PCO2

PCO2 acima de 40 mmHg

Aumentar Fluxo do Gás

PCO2 abaixo de 30 mmHg

Reduzir Fluxo do Gás

FLUXOS ARTERIAIS E HIPOTERMIA

Os graus de hipotermia comumente usados durante a C.E.C. são:

Hipotermia Leve Entre 37 e 320C
Hipootermia Moderada Entre 32 e 280C
Hipotermia Profunda Entre 28 e 180C

Estima-se como segura a redução do fluxo, quando necessária, pelos seguintes periodos, conforme a temperatura:

Temperatura Período de Segurança
320C

10 minutos

280C

20 minutos

250C

30 minutos

180C

40 minutos

A Parada Circulatória Total é feita sob hipotermia profunda, à temperatura de 180C, medida no nasofaringe. O tempo de parada circulatória deve ser limitado a 40 minutos ou, no máximo 50 minutos.

Em crianças de baixo peso corporal (< 8 Kg) usa-se a PCT à temperatura de 180C, medida no nasofaringe. O tempo de parada deve ser o mais próximo possível dos 40 minutos, aceitando-se os 50 minutos como um limite máximo.

PROTOCOLO PARA A PARADA CIRCULATÓRIA TOTAL (P.C.T.) EM CRIANÇAS DE BAIXO PESO.

1. Iniciar a perfusão e estabilizar o paciente;

2. Iniciar o resfriamento para a temperatura de 18 graus centígrados no nasofaringe; avaliar necessidade de vasodilatadores para homogeneizar o resfriamento; manter o fluxo total durante todo o resfriamento;

3. Ao atingir a temperatura desejada, sincronizado com o cirurgião:

4. Envolver o crânio do paciente com sacos de gelo;

5. Parar a bomba arterial;

6. Clampear a linha arterial (acima do shunt A-V);

7. Drenar todo o sangue venoso possível do paciente;

8. Clampear a linha venosa; anotar o volume drenado do paciente;

9. Circular o perfusato lentamente, através o shunt A-V (linha de recirculação), com um mínimo de oxigênio (ou sem oxigênio) e ajustar o pH.

10. Notificar o tempo de parada circulatória de 10 em 10 minutos;

11. Quando definido por um único período de PCT, iniciar o reaquecimento lento do perfusato, até os 280C;

12. Para reiniciar a perfusão, infundir a volemia do paciente manualmente;

13. Voltar à perfusão ao comando do cirurgião, lentamente, até atingir o fluxo total da perfusão;

14. Estabilizar a perfusão e continuar o reaquecimento até os 37graus centígrados.

Na PCT, os controles, a técnica geral e a monitorização do paciente, da gasometria, da anticoagulação e demais parâmetros são semelhantes à perfusão convencional.

nota: A parada circulatória para adultos será descrita em outro protocolo destinado aos métodos de proteção cerebral nas cirurgias sobre o arco aórtico. Voltar ao Topo da Página




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Maria Helena L. Souza & Decio O. Elias

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