TÉCNICAS DE PERFUSÃO NEONATAL
Para as operações em neonatos e
pequenos lactentes, durante muito tempo preferiu-se a
hipotermia de 18oC no nasofaringe e Parada
Circulatória.
Ainda existe discussão e controvérsia
entre defensores da parada circulatória total e os que
propõem uma perfusão contínua com fluxo normal ou com
baixo fluxo para o tempo principal da operação.
A principal discussão gira em torno da
proteção do cérebro e da ocorrência de complicações
neurológicas.
Na verdade, aquelas técnicas se
complementam e não são antagônicas.
Todos sabemos que após 50 minutos de
parada circulatória, as chances de se produzirem lesões
cerebrais, aumentam significativamente. Isto foi muito
bem demonstrado pelo Dr. Kirklin, em um importante estudo
que chegou a ameaçar a popularidade da parada
circulatória total (PCT).
Em linhas gerais, a técnica da
perfusão e o grau de hipotermia utilizado dependem das
necessidades da operação, definidas pela equipe
cirúrgica.
A cirurgia dos neonatos e pequenos
lactentes é realizada com uma de três modalidades de
perfusão:
PERFUSÃO
P/ NEONATOS E LACTENTES
|
| 1. Perfusão
Contínua Normotérmica |
| 2. Perfusão
Contínua Hipotérmica |
| 3. Perfusão
Hipotérmica com Parada Circulatória |
1.
PERFUSÃO CONTÍNUA NORMOTÉRMICA
Costuma ser indicada para os procedimentos
rápidos que podem ser realizados em poucos minutos. São
exemplos típicos a valvotomia aórtica e alguns casos de
valvotomia pulmonar. Na atualidade um número cada vez maior de equipes usa menores graus de hipotermia na perfusão pediátrica. Há algumas equipes que obtém resultados excelentes com a perfusão normotérmica para neonatos, como rotina.
A perfusão é conduzida com o fluxo
total e normotermia, com a finalidade de prover suporte
circulatório de curta duração.
2. PERFUSÃO
CONTÍNUA HIPOTÉRMICA
Corresponde à maioria das aplicações
atuais. A perfusão é contínua e sob hipotermia
moderada (26 a 28oC). Há uma tendência a se
usar cada vez menos hipotermia. Podemos utilizar alguns
períodos de baixo fluxo de perfusão, conforme as
necessidades técnicas da equipe cirúrgica. A grande
maioria das operações, inclusive as operações mais
prolongadas, como a operação de Jatene, pode ser
realizada com essa técnica de perfusão.
A perfusão contínua hipotérmica,
portanto, apresenta dois sub-grupos:
PERFUSÃO
CONTÍNUA HIPOTÉRMICA
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- Com fluxo de perfusão
normal
|
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Com baixo fluxo de
perfusão
|
3.
PERFUSÃO HIPOTÉRMICA COM PARADA CIRCULATÓRIA
Na atualidade é cada vez menos usada.
Ainda é útil na correção cirúrgica da drenagem
anômala total das veias pulmonares e em cardiopatias
complexas que incluem anomalias venosas, das veias cava
superior e inferior ou das veias pulmonares. Também pode
ser utilizada em prematuros ou neonatos de muito baixo
peso.
O único objetivo é facilitar as
manobras cirúrgicas no interior do átrio direito, sem
os inconvenientes da preseça das cânulas e do retorno
excessivo de sangue.
SITUAÇÕES ESPECIAIS
NA PERFUSÃO NEONATAL
Existem algumas situações nos
prematuros e neonatos que podem influenciar a perfusão e
que exigem atenção especial do perfusionista.
Uma destas situações se relaciona ao
grupo de cardiopatias com Comunicação Interventricular
e shunts esquerda-direita, como a própria CIV e outras,
como os Defeitos Átrio-Ventriculares ou Defeitos do
Coxim Endocárdico. Nestas cardiopatias é comum a
associação da persistência do canal arterial (PCA); o
mesmo ocorre com os diversos tipos de drenagem anômala
das veias pulmonares.
O ductus arteriosus (PCA) pode passar
desapercebido ao diagnóstico que, nos dias atuais, é
quase sempre feito pelo ecocardiograma.
Durante a perfusão, o PCA permite a
fuga de fluxo da aorta para a artéria pulmonar, com
grande retorno pulmonar ao coração esquerdo. As
comunicações intracardíacas permitem a drenagem do
sangue para o lado direito do coração. Como em geral
temos uma cânula única no átrio direito, não há
distensão do coração e a drenagem venosa se faz
normalmente para o oxigenador.
Nós podemos perceber isso, se
estivermos atentos ao problema. Parte do fluxo arterial
que deveria perfundir a metade inferior do corpo é
"roubado" para o pulmão, através da PCA.
Assim, a temperatura retal custa a cair. Nós notamos que
a temperatura do naso-faringe baixa rapidamente, enquanto
a temperatura retal permanece elevada. Se estamos com um
fluxo de perfusão adequado, se não há vasoconstrição
ou se os vasodilatadores não corrigem o problema,
devemos alertar os cirurgiões para esta possibilidade.
Em todos os casos operados na idade
neonatal, a presença de uma PCA associada deve ser
pesquisada durante o ato operatório. Se houver planos
para uma parada circulatória, a PCA deve ser ligada
antes da interrupção da circulação.
Caso esse PCA "oculto" não
seja detectado e ligado, durante o resfriamento, o
resultado poderá ser desastroso.
Durante a parada circulatória, na
abertura do coração direito, haverá entrada de ar para
a aorta distalmente ao "clamp", através o PCA,
mesmo que este seja muito pequeno. Ao retornarmos à
perfusão todo o ar será bombeado para o cérebro,
podendo produzir lesõoes graves e irreversíveis.
A discrepância do resfriamento entre o
nasofaringe e o reto também pode ser indicativo da
presença de uma coarctação da aorta não identificada
no pré-operatório.
A monitorização consciente das
temperaturas do nasofaringe, retal, do sangue arterial e
da água é um dos melhores métodos de segurança, na
perfusão dos neonatos e pequenos lactentes.
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