ULTRAFILTRAÇÃO MODIFICADA
Na atualidade,
diversos grupos com grande experiência em cirurgia
neonatal (Inglaterra, França e Estados Unidos, detre
outros), tem acrescentado a ultrafiltração "de
rotina" ou, pelo menos para casos selecionados, na
perfusão para neonatos.
Um dos grandes
problemas da perfusão neonatal é a formação de edema;
sua incidência é elevada e pode ser causa de grande
morbidade. Esse edema é consequência de diversos
fatores, dentre os quais o aumento da permeabilidade
capilar, que ocorre como consequência da resposta
inflamatória iniciada pela circulação extracorpórea.
O excesso de água, que pode ser enorme, se acumula no
espaço extravascular e causa ascite, derrame pleural e
disfunção de vários órgãos, como os pulmões,
miocárdio, cérebro e rins, entre outros.
A disfunção
pulmonar prolonga a necessidade dos ventiladores
mecânicos; o edema miocárdico pode dificultar o
fechamento do esterno; o edema cerebral pode produzir
sequelas importantes. Embora haja diurese, a função
renal é insuficiente para eliminação do excesso de
líquido acumulado.
Para remover o
excesso de água no organismo do neonato, a
ultrafiltração pode ser acrescentada ao circuito da
perfusão.
Como o uso
difere um pouco do habitual, o método é chamado de ultrafiltração
modificada.
A montagem do
ultrafiltro no circuito é feita conforme o diagrama da
figura ao lado. A linha de entrada do ultrafiltro sai da
linha arterial, próximo da cânula arterial. Esta linha
de entrada passa por uma bomba de roletes e vai ao
ultrafiltro. A linha de saída do ultrafiltro pode ser
conectada à linha venosa, próximo das cânulas da cava
ou pode simplesmente ser deixada de lado até o momento
do uso, quando é introduzida no átrio direito.
A filtração
pode ser iniciada no final do reaquecimento ou, como é
mais usada, após a saída de perfusão, como ilustra o
diagrama da página seguinte. O sangue é removido pela
cânula arterial, filtrado e retornado ao átrio direito.
Quando houver hipovolemia, a pinça da linha arterial é
removida e mais sangue do reservatório venoso é
infundido ao paciente, lentamente, sem interromper a
filtração.
Os fluxos para
o filtro devem ser da ordem de 100 a 300 ml/min e podemos
aplicar vácuo de - 100 a -125 cm. H2O. O filtrado é
obtido à razão aproximada de 100 a 150 ml/min. A
concentração do sangue se continua até alcançar o
hematócrito entre 36 e 40%. Em média são removidos
entre 500 e 800 ml. de líquidos, conforme o caso,
podendo alcançar 1.500 ml. nas crianças maiores.
A remoção do
excesso de água permite melhor recuperação
pós-operatória, menores perdas sanguíneas, melhor
função cardíaca, pressão arterial mais alta, menor
tempo de dependência dos respiradores e menores efeitos
da reação inflamatória geral, porque os mediadores
vasoativos e tóxicos são também filtrados.
O método
está em avaliação nos principais centros mencionados e
encontra cada vez mais adeptos na perfusão de neonatos e
pequenos lactentes. O método acrescente alguma
complexidade aos procedimentos; contudo suas vantagens
parecem inequívocas. Os serviços que não utilizam a
ultrafiltração costumam fazer uso bastante liberal da
diálise peritonial no pós-operatório imediato.
As medidas
simples de restrição de líquidos e uso generoso de
diuréticos, com muita frequência não são suficientes
para eliminar o excesso de líquidos que pode ocorrer
durante a perfusão de neonatos.
PROBLEMAS
E COMPLICAÇÕES
Os principais
problemas e complicações relacionados à perfusão de
neonatos são:
| 1. Hemorragias |
| 2. Baixo Débito
Cardíaco |
| 3. Edema generalizado |
| 4. Diversos graus de
insuficiência renal |
| 5. Convulsões e outras
sequelas neurológicas |
| A perfusão para
neonatos e pequenos lactentes representa um
exercício constante de paciência e criteriosa
atenção ao detalhe, por mais insignificante que
possa parecer. Desde a seleção do material a
ser utilizado, seu preparo e montagem até a
condução da perfusão, os aspectos inerentes à
fisiologia muito especial dos neonatos devem ser
lembrados. O mínimo de trauma, o respeito às
necessidades metabólicas e sobretudo a
prevenção de qualquer grau de injúria
significam a diferença entre o sucesso e o
insucesso destes procedimentos. |
|