FATORES DE RISCO DE COMPLICAÇÕES NEUROLÓGICAS EM ADULTOS
As complicações neurológicas constituem um evento em geral, inesperado, capaz de produzir consequências desastrosas e originar sequelas permanentes nos pacientes em que ocorrem. As complicações neurológicas surgem após procedimentos cirúrgicos técnicamente bem conduzidos.
Estima-se que ocorre um acidente vascular cerebral (AVC) per-operatório em cerca de 1 a 4% dos pacientes submetidos à revascularização do miocárdio. A incidência ainda é maior nos pacientes submetidos à cirurgia valvar.
As disfunções de natureza neuropsicológica (alterações da esfera conitiva) tem uma incidência extremamente elevada, podendo ocorrer em cerca de 60% dos pacientes operados.
O quadro abaixo apresenta a incidência de AVC nas diferentes operações realizadas em pacientes adultos.
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| Tipo de Cirurgia | Incidência (%) |
| Cirurgia valvar dupla ou tripla | 9,7% |
| Cirurgia da válvula mitral | 8,8% |
| Cirurgia combinada (valva + pontes) | 7,4% |
| Cirurgia de revascularização do miocárdio | 2,5% |
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| Dados extraídos de: Bucerius et al. Stroke after cardiac surgery: a risk factor analysis of 16,184 consecutive adult patients. Ann Thorac Surg 75:472-8,2003. |
As causas dos eventos neurológicos e neuropsiquiátricas incluem macroembolias, microembolias de grumos celulares (leucócitos), agregados plaquetários, gordura e bolhas de ar). Entretanto, ainda existe um contingente de pacientes nos quais a causa da disfunção neurológica ou neuropsiquiátrica é apenas especulativa.
A análise de grandes séries de pacientes [1,2] permitiu isolar um conjunto de fatores que, quando presentes, estão associados à uma maior incidência de complicações neurológicas. A presença de mais de um desses fatores exerce um efeito somatório e acentua os riscos de desenvolvimento daquelas lesões. Estes fatores de risco, portanto, constituem importantes guias para a equipe cirúrgica. Sua presença deve orientar a neutralização dos fatores possíveis de serem controlados, enquanto que para atenuar os efeitos dos demais fatores de risco, é necessário oferecer as melhores condições metabólicas possíveis.
Os principais fatores de risco de desenvolvimento de complicações neurológicas após a cirurgia cardíaca são:
FATORES DE RISCO PARA CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCÁRDIO
Estes fatores de risco referem-se à cirurgia de revascularização isolada, sem a associação de outros procedimentos cirúrgicos e resultam da análise de uma série de 7.000 pacientes. Os principais fatores de risco são:
Fatores de Risco Pré-operatórios:
- Idade avançada:
Pacientes até 50 anos tem um risco de desenvolver AVC de 0,4%.
Pacientes acima de 75 anos tem um risco de desenvolver AVC de 7,1%.
- Aterosclerose da aorta proximal
- Hipertensão arterial
- AVC ou isquemia transitória prévios.
- Diabetes mellitus
- Sexo feminino
Fatores de Risco Intra-operatórios:
- Cirurgia normotérmica - A hipotermia leve confere mais proteção cerebral.
- Cirurgia sem CEC - Apresenta menor incidência de lesões neurológicas e neuropsiquiátricas.
Fatores de Risco Pós-operatórios:
- Hipoperfusão cerebral (hipotensão prolongada)
- Fibrilação atrial
- Baixo débito cardíaco
A presença desses fatores de risco nos pacientes auxiliar a equipe no preparo e na condução dos procedimentos de CEC com o objetivo de neutralizar os seus efeitos.
Referências Selecionadas
1. Nussmeier NA. A review of risk factors for adverse neurologic outcome after cardiac surgery. J Extracorp Technol 34:4-10, 2002.
2. Bucerius J, Gummert JF, Borger MA, Walther T, et cols. Stroke after cardiac surgery: a risk factor analysis of 16,184 consecutive adult patients. Ann Thorac Surg 75:472-8,2003.

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