| Revista Latinoamericana de Tecnologia Extracorpórea XI,1,2004 |
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SUBSTITUIÇÃO EM PARALELO DO OXIGENADOR QUE NÃO TRANSFERE OXIGÊNIO: O PROCEDIMENTO "PRONTO". |
| RC Groom, RJ Forest, JE Cormack, KS Niimi and J Morton |
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Maine Medical Center. Portland, Maine, USA. |
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Originalmente publicado em Perfusion 17:(6), 447-450, 2002. Reproduzido com permissão dos Editores. |
| Traduzido do original por Maria Helena L. Souza e Decio O. Elias. |
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We present here a technique to replace a failed oxygenator by inserting a second oxygenator in parallel (PRONTO) within the cardiopulmonary bypass (CPB) circuit. Oxygenator failure is a potential hazard that may result in patient injury or death. Although failures are rare, safety surveys conducted over the last 25 years suggest that the incidence of oxygenator failures is on the rise. This emergency procedure may be easily applied to any standard CPB circuit with a few minor alterations. The technique is simple; it can be carried out rapidly. An important advantage of this technique is that it may be executed without interrupting blood flow to the patient, which may reduce the incidence of patient injury or death.
Rev Latinoamer Tecnol Extracorp 11,1,2004
Nós apresentamos neste trabalho uma técnica para substituir um oxigenador com defeito, inserindo um segundo oxigenador em paralelo (PRONTO = Parallel Replacement of the Oxygenator that is Not Transfering Oxygen) no circuito da circulação extracorpórea. A falha dos oxigenadores é um risco potencial que pode resultar em injúria ou morte do paciente. Embora as falhas sejam raras, as pesquisas feitas nos últimos 25 anos sugerem que a incidência de falha dos oxigenadores se encontra em elevação. Este procedimento de emergência, pode ser facilmente aplicado à qualquer circuito padronizado de CEC, com algumas pequenas alterações. A técnica é simples e pode ser executada rapidamente. Uma vantagem importante desta técnica é que ela pode ser realizada sem interrupção do fluxo sanguíneo para o paciente, o que pode reduzir a incidência de injúria ou de óbitos.
A falha dos oxigenadores durante a circulação extracorpórea se apresenta à equipe cirúrgica como um problema sério e potencialmente fatal, que requer uma resposta rápida e bem coordenada. Infelizmente, a incidência de falhas do oxigenador está em elevação [1-4]. Nós descrevemos, neste trabalho, uma modificação do circuito da CEC que permite a substituição rápida de um oxigenador que não esta transferindo oxigênio (PRONTO).
Se ocorrer deficiente oxigenação durante a circulação extracorpórea, a equipe cirúrgica deve ser informada. O uso de uma lista de checagem ou protocolo de falha dos oxigenadores pode ser uma ferramenta útil para identificar disfunções corrigíveis, tais como um vazamento no suprimento de gás do oxigenador , o mau funcionamento do misturador de oxigênio ou um percurso sanguíneo incorreto. Estes componentes devem sofrer avaliação rápida e completa. Se o coração está batendo e é possivel ventilar o paciente e sair da CEC, isto deve ser feito imediatamente.
Entretanto, se o procedimento cirúrgico está em um ponto em que não é possível interromper a CEC, a decisão deve ser feita rápidamente para substituir o oxigenador durante a perfusão. O procedimento PRONTO, descrito neste trabalho, permite a transição rápida para um oxigenador funcionante sem interromper o fluxo sanguíneo.
O circuito da CEC é montado rotineramente com um shunt inserido entre a entrada e a saída do oxigenador usando um segmento de 10 polegadas de um tubo de 3/8 " e dois conectores em Y de 3/8". Um conector luer lock é inserido na porção central do shunt. Este ponto do luer lock pode ser usado para monitorizar a pressão da linha arterial e, pelo clampeamento do shunt distal ou proximalmente ao luer lock, também podemos medir as pressões pré e pós membrana.
O equipamento necessário para realizar a troca inclui uma pinça de tubo adicional, uma tesoura, uma esponja com álcool e um novo oxigenador.
Na eventualidade da falha de um oxigenador, o volume adicional, equivalente ao prime do compartimento das membranas e do permutador de calor, deve ser adicionado ao reservatório venoso. Um clamp é colocado na linha de bypass do oxigenador o mais próximo possível do Y distal (figura 1).
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Uma enquete de 1980, dentre os centros de cirurgia cardíaca dos Estados Unidos, determinou que a incidência de falha do oxigenador é de 1:56.000 [1]. Pesquisas similares nos Estados Unidos, conduzidas em 1986 e 1989 mostraram uma freqüência de falha do oxigenador de 1:13.600 e 1:2.700, respectivamente [2,3]. Pesquisas no Reino Unido e na Irlanda em 1993 e 1997 mostraram uma freqüência de falha do oxigenador, com necessidade de substituição de 1:4.034 e 1:4.631, respectivamente [4]. Este aumento da freqüência de falhas dos oxigenadores é alarmante. Contudo, a ocorrência permanece tão infrequente que tem sido difícil determinar definitivamente as causas das falhas desses oxigenadores. Uma variedade de mecanismos tem sido sugerida como causas potenciais.
Palanzo et al. relataram uma elevação rápida na pressão transmembrana do oxigenador, logo após o início da CEC [5]. Acreditou-se que esta elevação da pressão poderia ser desencadeada pelo resfriamento do paciente e aliviava com o aquecimento. Este mesmo fenômeno foi descrito por outros centros nos Estados Unidos, Canadá e Europa, ocorrendo com vários oxigenadores de fibras ocas [6]. Embora o mecanismo exato continue desconhecido, várias hipóteses foram aventadas. Bearss et al. atribuem estes aumentos na pressão transmembrana à deposição de proteínas reativas ao frio sobre a superfície do permutador de calor, causando um estreitamento do trajeto do sangue [7]. Schaadt acredita que o aumento da incidência destes elevados gradientes de pressão transmembrana é devido ao desenho dos oxigenadores que buscam um aumento da eficiência com um reduzido volume de prime e relata que, em um esforço para desenhar oxigenadores de alta eficiência e baixo prime, os fabricantes devem reduzir as dimenções dos canais para o sangue. Desse modo, qualquer redução adicional nas dimensões destes canais causadas por depósitos produziriam um acentuado aumento na resistência ao fluxo sanguíneo e um aumento na pressão transmembrana [6]. Também foi notado que estes gradientes de pressão não se limitam aos oxigenadores de baixo prime mas, este fenômeno é mais pronunciado e ocorre mais precocemente nestes, do que nos oxigenadores de prime mais elevado [5.6].
Outros sugeriram que estes aumentos nas pressões transmembrana são causados pela ativação de plaquetas e a sua subseqüente deposição com o fibrinogênio na superfície da membrana. Aniuk et al. notaram que muitas destas ocorrências estavam associadas ao uso do hidroxietilstarch na solução do prime da CEC [8]. Palanzo et al mostraram que a adição de albumina na solução do prime, antes da CEC, pode ser uma proteção para as plaquetas. Além disso, este efeito protetor ocorre com quantidades mínimas , como duas gramas de albumina no prime [9].
Também foi sugerido que o nitroprussiato de sódio ou o óxido nítrico podem mellhorar este fenômeno pela redução da ativação plaquetária [10,11]. Em um estudo Rauch et al., o óxido nítrico foi adicionado ao gás da ventilação de uma circuito "in vitro". Os estudos das membranas do oxigenador com a microscopia eletrônica mostraram uma redução nos depósitos de fibrina e células nas membranas em que o óxido nítrico foi adicionado ao gás da ventilação, comparado às membranas que foram ventiladas sem óxido nítrico [11].
Wendel et al. examinaram a incidência de gradientes de pressão transmembrana elevados e o uso de circuitos revestidos. Eles encontraram uma freqüência mais alta de pressões transmembranas anormalmente elevadas nos circuitos não revestidos, quando comparados aos circuitos revestidos. Os autores formularam a hipótese de que os circuitos revestidos causam menos ativação do sangue, que pode representar a causa da deposição de fibrina e plaquetas nos oxigenadores de membranas [12].
A substituição, em paralelo, de uma oxigenador de fibras ocas foi publicada em 1988 por Hart et al [13]. A técnica dos autores necessitava a colocação de segmentos de tubos e conectores na entrada e na saida do oxigenador. Eles também recomendaram a irrigação do aparelho com dióxido de carbono. A técnica requeria dividir os tubos em dois pontos. Eles também relataram que a vantagem da substituição em paralelo é eliminar o período de parada circulatória. Os autores também afirmam que ela minimiza a quantidade de hemodiluição que ocorre quando um oxigenador defeituoso é removido do circuito e substituído.
A falência do oxigenador é um evento potencialmento catastrófico que requer uma resposta imediata e precisa. Quando possível, a ventilação dos pulmões e a interrupção controlada da perfusão constituem a melhor opção, desde que o coração não esteja parado e o coração e a aorta estejam intactos. A técnica "PRONTO" permite a substituição rápida de um oxigenador deficiente, compreende um numero mínimo de etapas necessárias a sua realização e, mais importante, oferece segurança, já que não interrompe o fluxo do sangue e todos os principais dispositivos de segurança permanecem ativos e funcionantes.