| Revista Latinoamericana de Tecnologia Extracorpórea XI,1,2004 |
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RELATO DE CASO:
CIRCUITO MINITUARIZADO PARA REDUZIR O PRIME PARA CIRURGIA CARDIACA COMPLEXA EM UM NEONATO DE 3,7 KG DE PESO. |
| Wolfgang Boettcher1, Frank Merkle1, Andreas Koster2, Michael Hübler3, Brigitte Stiller4, Hermann Kuppe2 y Roland Hetzer3 |
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1Departmento de Perfusão, Deutsches Herzzentrum Berlin, Alemanha 2Departmento de Anestesia, Deutsches Herzzentrum Berlin, Alemanha 3Departamento de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular, Deutsches Herzzentrum Berlin, Alemanha 4Departamento de Doenças Cardíacas Congênitas, Deutsches Herzzentrum Berlin, Alemanha |
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Originalmente publicado em Perfusion 18:(6), 377-379,2003. Reproduzido com permissão dos Editores. |
| Traduzido do original por Decio O. Elias e Maria Helena L. Souza. |
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Over recent years, increasing awareness has been aroused to the hazards of the utilization of donor blood products. Particularly in neonate cardiac surgery employing cardiopulmonary bypass (CPB), the relative high priming volume of the CPB system and its adjunctive components, such as hemofilters, causes severe hemodilution and, therefore, particularly during extended perfusions, customarily requires priming of the system with autologous blood components. We report on our efforts to minimize the CPB system and adjust the perfusion strategy to the goal of transfusion-free CPB in a 3.7 kg neonate scheduled for repair of transposition of the great arteries.
Rev Latinoamer Tecnol Extracorp 11,1,2004
Nos anos recentes aumentou sensivelmente a preocupação com os riscos da utilização de sangue ou derivados de doadores. Particularmente na cirurgia cardíaca neonatal com o emprego da circulação extracorpórea (CEC), o alto volume de prime relativo ao peso do paciente dos sistemas de CEC e seus componentes adjuntos, tal como os hemofiltros, causam hemodiluição severa e, deste modo, particularmente durante perfusões prolongadas, costumeiramente requerem o prime do sistema com componentes sanguíneos autólogos. Nós relatamos nossos esforços para minimizar o sistema de CEC e ajustar a estratégia de perfusão aos objetivos de ministrar a circulação extracorpórea sem sangue em um neonato com 3,7 kg de peso submetido à correção de transposição das grandes artérias.
As complicações associadas com a transfusão de produtos de sangue e seu potencial de efeitos danosos aos resultados dos pacientes após a cirurgia cardíaca são avaliados cada vez mais freqüentemente [1]. Conseqüentemente, sofisticadas estratégias de concentração de sangue foram desenvolvidas para evitar as transfusões de sangue. Contudo, particularmente em neonatos, a utilização da CEC introduz um problema devido ao relativamente elevado volume de prime com conseqüente hemodiluição extrema e as perfusões complexas freqüentemente necessárias para a correção de defeitos congênitos. A CEC sem transfusões de sangue foi relatada em dois neonatos Testemunhas de Jeová com 4,2 kg para a realização de cirurgias cardíacas complexas [2-4]. Nestes casos, contudo, um hematócrito de 15 a 20% foi tolerado durante a CEC.
Nós relatamos o caso de um neonato com 3,69 kg de peso não seguidor das Testemunhas de Jeová, em que a CEC sem transfusões foi realizada durante a operação de correção arterial (arterial switch ou operação de Jatene), enquanto os níveis da hemoglobina foram mantidos na faixa de 7,8-9,5 g/dl (HCT 23-28%) durante todo o período da circulação extracorpórea.
Um neonato do sexo masculino com 5 dias de idade com o diagnóstico de transposição das grandes artérias foi programado para a operação de "retransposição" arterial. Após a indução da anestesia a cirurgia teve início e a circulação extracorpórea foi instituída. Administrou-se aprotinina ao paciente com uma dose inicial de 4 x 105 UIK e adicionou-se uma idêntica dose ao volume do prime da CEC, além da infusão contínua de 1 x 105 UIK, durante a CEC. O manuseio da anticoagulação foi baseado nos níveis de heparina e realizado de acordo com o sistema Hepcon HMS Plus (Medtronic Inc., Minnesota, MN, USA) com um nível alvo de 6 UI/ml. A avaliação e os ajustes dos níveis de heparina foram realizados em intervalos de 60 minutos. Os cálculos das necessidades de protamina, após a conclusão da ultrafiltração modificação, foram baseados nas determinações do sistema Hepcon HMS Plus.
Os componentes do sistema da CEC não eram revestidos por heparina. O volume de prime consistiu de uma solução eletrolítica (Thomaejonin, DeltaSelect GmbH, Pfullingen, Alemanha) e 5.000 UI de Heparina. Linhas de tubos muito curtas foram obtidas, ao posicionar a bomba de roletes junto à entrada do oxigenador e as bombas de roletes da cardiotomia e da descompressão junto à entrada do reservatório de cardiotomia, empregando um console de bombas desenhado para neonatos (Stoeckert Mastpump, Stoecker, Minch, Alemanha). Todos os componentes contendo sangue foram colocados o mais próximo possível da mesa de operações. O diâmetro dos tubos foi reduzido para 3/16" em todo o sistema de CEC, com exceção do segmento da bomba de roletes, que consistiu de tubo de borracha de silicone de ¼" (figura 1).
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Um oxigenador de membranas de fibras ocas (Safe Micro Polystan, Vaerlose, Dinamarca) com um volume de prime de 52ml e um filtro de linha arterial (Newborn. Dideco, Mirandola, Itália) com um volume de prime de 40ml foram usados. O volume total de prime do sistema foi de 180ml.
Imediatamente após o início da CEC, a aorta foi clampeada transversalmente e foram infundidos 30ml de solução cardioplégica cristalóide. Após 60 min de clampeamento, uma dose adicional de 30ml de solução cardioplégica foi administrada. Em seguida ao início da CEC induziu-se vasodilatação com uma infusão continua de 6-10 mcg/ kg/min de nitroprussiato de sódio (que foi mantido durante toda a CEC ) e induziu-se hipotermia moderada de 28 graus C. Neste período, um retorno venoso de 550 ml/min foi considerado adequado.
Com o início do reaquecimento sistêmico, a drenagem venosa foi aumentada com o emprego de drenagem venosa assitida por vácuo (DVAV) com uma pressão negativa de 25-35 mmHg obtida por um regulador de vácuo (Polystan) para alcançar um retorno venoso de 4 L/min/m2.
Durante a CEC, as análises dos gases sanguíneos (volume de 0,3 ml) foram realizadas a intervalos de 15 min. Determinações do nível de heparina foram reduzidas a uma por hora. Não se realizou hemofiltração durante este período. A diurese forçada (10ml/Kg/hora) foi obtida com duas doses de 2 mg de furosemida, no início da perfusão e no reaquecimento. O tempo de clampleamento aórtico foi de 102 min e a duração total da CEC foi de 167 min. O nível de hemoglobina antes da perfusão era de 15,7 g/dl (Htc 46%). A concentração de hemoglobina mais alta durante a CEC foi de 9,5 g/dl (Htc 28%) e o valor mais baixo 7,8 g/dl (Htc 23%) (figura 2).
A saída de perfusão foi realizada com ajuda de suporte inotrópico moderado e vasodilatação (adrenalina 0,1 ng/Kg/min, enoximone 1 mg/Kg, nitroprussiato 2 mcg/Kg/min), o volume da linha venosa foi utilizado para o prime do sistema de hemofiltro (Dideco DHF - 02, Mirandola, Itália) e o circuito de CEC foi esvaziado através da ultrafiltração modificada. Durante este período foram produzidos 200 ml de filtrado e 100 ml de plasma fresco congelado e 50 ml de plaquetas foram transfundidos. Após a conclusão da ultrafiltração modificada e administração da protamina, uma unidade de concentrado de hemácias foi administrada para alcançar um valor de hemoglobina de 12 g/dl (Htc 36%). Adicionalmente transfudiu-se 50 ml de plasma fresco congelado e 50 ml de concentrado de plaquetas durante este período. O volume residual (diluído) da CEC foi processado em um cell saver e transfundido, após a cirurgia.
O tórax do paciente foi fechado; o paciente foi transferido para a UCI e retirado do ventilador mecânico após 3 dias.
O presente caso demonstra que mesmo em pequenos neonatos, a CEC complexa e prolongada pode ser ministrada com segurança, sem o uso de produtos de sangue durante o seu transcurso. Em particular, a redução significativa do volume de prime para 180 ml (comparado com 410, 420 e 540 ml em publicações anteriores contribuiu para o sucesso do manuseio [2-4]. Isto foi obtido por: 1) redução do comprimento das linhas da CEC; 2) redução do diâmetro das linhas da CEC; 3) usando um pequeno oxigenador e filtro arterial; e 4) usando o sangue da linha venosa após a CEC para o prime do hemofiltro usado na ultrafiltração modificada.
Com esta estratégia, foi possível prevenir a hemodiluição extrema e, apesar do uso de vasodilatadores, os níveis de hemoglobina foram mantidos dentro de limites seguros durante todo o período de 167 min de circulação extracorpórea.
Embora após a saída de CEC, a transfusão de uma unidade de plaquetas, de plasma fresco congelado e de concentrado de hemácias tenham sido necessários para recompor a coagulação e um nível pré-estabelecido de hemoglobina de 12 mg/dl, este caso demonstra que a CEC sem transfusão de sangue é possível em pequenos neonatos. Isto abre a perspectiva de que, com o uso criterioso de todas as técnicas disponíveis de concentração do sangue (limitação das análises de sangue, baixo prime, aprotinina e UFM), procedimentos de baixo risco e relativamente curtos em pequenos neonatos podem ser realizados com segurança, sem o emprego de transfusões [5].
Nos gostaríamos de agradecer a Anne M. Galé do Deutsches Herzzentrum Berlim por sua assistência editorial.
1. Engoren MC., Habib RH, Zacharias ª, Schwann TA, Riordan Cj, Durham Sj. Effect of blood transfusion on long-term afther cardiac operations. Ann Thorac Surg 2002; 74: 1180-86.
2. Tsang VT, Mullaly Rj, Ragg PG, Kart TR, Meet RB. Bloodless open=heart surgery in infants and children. Perfusion 1994, 9: 257-63.
3. Forest RJ, Groom RC, Quinn R, Donelly J, Clark C. Repair of hypoplastic left heart syndrome of a 4,25 kg Jeohva"s Witness. Perfusion 2002; 17: 221-25.
4. Woolhouse K, Reitz B. Hanson K. Cardiopulmonary bypass with a nonhemic prime for an infant of less than four kilograms. J Extra-Corpor Technol 1993; 25: 31-31.
5. Tweddell JS, Hoffman GM, Mussatto KA et al. Improved survival of patients undergoing palliation of hypoplastic left heart syndrome: lessons learned from 115 consecutive patients. Cirulation 2002; 106(suppl I): I-82 - I-89.