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REVISTA LATINOAMERICANA DE TECNOLOGIA EXTRACORPÓREA |
Parece certamente irreversível, a tendência à globalização dos mercados e das economias produtiva e de consumo, para os próximos anos, antes mesmo da chegada do próximo milênio. A universalização dos principais valores da sociedade moderna acompanha a globalização da informação e, principalmente, o aperfeiçoamento do seu uso adequado.
A falência e o elevado custo dos sistemas políticos paternalistas ou assistencialistas da América Latina, abriram as portas à nova tendência neoliberal, mais de acordo com a realidade dos indivíduos porém, nem tanto, com a realidade das economias. Isto se reflete em todas as atividades, sem exceção. Buscam-se novos caminhos para otimizar a produção e a comercialização de bens e serviços, ao mesmo tempo em que as fronteiras, mesmo as mais protecionistas, deixam de existir.
Esta nova ordem de coisas tem reflexos profundos na nossa atividade. O estado protecionista, capaz de arcar com os custos de uma assistência médica de elevado custo e socialmente injusta, já não existe e, muito certamente, não voltará a existir. A pressão pela contenção dos custos e a otimização das atividades é a tônica da nova assistência médica, também custeada pela sociedade, mas em bases mais realistas. O usuário paga pelos serviços recebidos, diretamente ou, mais comumente, através os seguros-saúde ou planos de assistência médica. Esse modelo, já antigo em outras economias, apenas nos últimos anos alcançou nosso continente, para substituir a presença do estado ineficiente e perdulário.
Angioplastias, valvoplastias, cirurgia sem CEC, minitoracotomias e video-toracoscopia, para citar apenas alguns procedimentos, tem contribuido sobremodo para reduzir os custos dos tratamentos. A redução de um dia no período de internação de cada paciente de um hospital com 100 leitos, pode propiciar uma economia anual de US$ 1.000.000,00 (um milhão de dólares). A avaliação das indicações e da eficácia dos procedimentos inclui a análise dos seus custos; estes, por sua vez, podem ser determinantes na seleção dos procedimentos adotados.
É imperioso que se continue a buscar a eficiência e a redução dos custos, em todas as áreas de nosso trabalho, sem prejuizo da qualidade. A cardiologia, a cirurgia cardíaca e a perfusão, apesar do grande arsenal tecnológico que utilizam, tem apresentado enormes progressos nesta nova direção. Indústria, hospitais, médicos e demais profissionais da área de saúde precisam rever frequentemente seu papel nesta nova ordem. Os recursos destinados à assistência médica não estão mais nos cofres dos governos, a que todos tinham fácil acesso. Agora as empresas seguradoras detém esses recursos, que procuram gastar cada vez menos, para manter ou ampliar os seus lucros. É inevitável que, ao longo do tempo, essas empresas patrocinem a globalização da assistência médica, ampliando a competição e submetendo todos às mesmas leis de mercado.
Os procedimentos minimamente invasivos representam a mais pura essência dessa modernidade tecnológica e econômica de que falamos. Eles contribuem para reduzir a morbidade dos procedimentos e possibilitam a redução do tempo de internação. Os custos envolvidos são obrigatoriamente, menores.
Outros exemplos de ajuste à realidade dos novos tempos deverão mostrar que é possível ministrar assistência médica curativa de elevada qualidade, com custos mais de acordo com a realidade econômica do mundo moderno.
| Maria Helena Editora |