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REVISTA LATINOAMERICANA DE TECNOLOGIA EXTRACORPÓREA |
Caros Colegas:
Foi com grande entusiasmo que aceitamos o desafio de transformar a nossa revista em uma publicação eletrônica (digital), distribuida pela Internet. Pressionados por dificuldades contábeis, a decisão foi rápida e fácil, posto que, a outra alternativa seria o puro e simples encerramento das atividades.
Os últimos anos do século XX testemunharam que as mais tradicionais revistas de toda natureza, inclusive as científicas, estão rapidamente aderindo ao formato eletrônico em adição ao formato convencional.
O milênio que ora se inicia vai conduzir a importantes mudanças no tratamento da informação e nas formas de transmití-la. A importância da Internet nesse processo é imensa e todos os recursos disponíveis, a verdadeira multimídia, rapidamente serão agregados aos métodos convencionais, para a melhor transmissão das informações. Nossa revista não poderia ficar imune a esse processo e, já durante o corrente ano, deveremos progressivamente adicionar novos recursos tecnológicos à nossa publicação.
O final do milênio assinalou também o término do mandato de numerosos membros de nosso Conselho Editorial que, muito generosamente, contribuiram para a construção dos nossos alicerces e proporcionaram um elevado suporte científico e tecnológico, durante os primeiros anos de vida de nossa publicação. Aos que estiveram conosco até o final do volume VII devemos apresentar, em nome da comunidade latinoamericana de perfusionistas, os melhores agradecimentos pela irrestrita solidariedade e participação.
Estamos, à partir de agora, constituindo o Conselho Editorial que deverá nos acompanhar nos próximos anos, com mandatos mais curtos de 1 ou 2 anos, eventualmente renováveis conforme o interesse e as necessidades de ambas as partes. Esperamos que, com novas e importantes energias e idéias, vamos nos defrontar com uma nova fase de grande crescimento e rápido desenvolvimento da nossa revista, em sintonia com as tendências que se desenham no horizonte da informação. O nível de comprometimento e a vigorosa atuação dos membros do Conselho Editorial deverão contribuir para forjar as bases de uma tradição de excelência que desejamos para a Revista Latinoamericana de Tecnologia Extracorpórea, nesse novo milênio. Novas responsabilidades com o preparo e a seleção do material da revista deverão incrementar o fluxo de trabalhos e assegurar a regularidade da publicação. Desejamos as melhores boas-vindas aos novos membros do nosso Conselho Editorial e apresentamos, também, os nossos melhores agradecimentos pela disposição de associar-se a nós nessa tarefa.
As editoras e os editores "profissionais", que publicam a informação científica geral e especializada, deverão a médio prazo, encontrar dificuldades. A comunidade médica, está despertando para uma nova realidade e descobriu que é auto-suficiente para produzir a informação e para distribuí-la, via Internet. Vejamos: os profissionais de uma determinada área anotam suas experiências e escrevem os seus artigos, à noite ou durante os fins de semana. Outros membros da mesma comunidade examinam os artigos, sugerem alterações e, finalmente os aprovam para publicação. Nós, os membros da referida comunidade, assumimos a responsabilidade pelo que escrevemos, revisamos, divulgamos, e não há nenhuma remuneração envolvida no preparo dos artigos. O "publisher" simplesmente imprime o material que preparamos e nos vende a preços nem sempre accessíveis ou aceitáveis.
Como melhor alternativa, as revistas eletrônicas estão proliferando em grande velocidade. Há nos dias de hoje alguns milhares de revistas eletrônicas, de livre acesso, e portanto, sem custo para o leitor, na Internet. Na área médica, contam-se algumas centenas dessas revistas e esses números não param de crescer.
A curiosidade científica e a necessidade de obter informação atualizada fazem com que nós busquemos essas revistas cada vez mais assiduamente. E divulgamos a sua existência entre nossos pares. A idéia da informação científica gratuita já é uma realidade incontestável e deverá fazer com que as revistas mais tradicionais acompanhem os seus leitores. Muitos cientistas ou especialistas já preferem publicar os seus artigos nas revistas eletrônicas, devido às facilidades que apresentam e à aceitação que tem obtido na comunidade internacional.
Os editores independentes, as sociedades científicas e os pequenos e médios editores já descobriram que a presença e a publicação na Internet são infinitamente mais rápidas, mais baratas e melhor distribuidas. Os grandes editores resistem às mudanças em função dos valores econômicos e financeiros. Entretanto, à medida em que nós depositamos na publicação eletrônica o mesmo nível de confiança da publicação impressa, o mercado editorial deverá criar novos modelos, certamente mais adequados à economia do "consumidor". A existência e o uso da Internet, colocaram em evidência a seguinte pergunta: Por que devo pagar caro para ler o material que meus colegas escrevem gratuitamente, e que pode ser livremente distribuido pela Internet ?
É indiscutível que surgem no horizonte os indícios de uma nova e mais sólida parceria - com a indústria farmacêutica e de material cirúrgico - visando o custeio da distribuição eletrônica da informação científica. Os custos mais reduzidos, mais adaptados à realidade econômica mundial, certamente trarão às revistas eletrônicas o indispensável apoio financeiro que vai assegurar a sobrevida do novo sistema. A distribuição eletrônica é, sob o ponto de vista da publicidade e do marketing, superior à distribuição do material impresso, porque cabe ao leitor a iniciativa de acessar o material e fazer a sua cópia. Assim, a publicidade alcança os indivíduos mais interessados de cada coletividade.
Bernd Sebastian Kamps, M.D., Ph.D., editor senior do Amedeo - Guia de Literatura Médica, afirma que nos próximos três anos, a maioria das revistas médicas estará também na Internet e muitas serão de livre acesso. Além disso, o livre acesso à informação médica imediatamente após a sua produção terá um impacto positivo na prática médica internacional. Há hoje mais de 550 revistas médicas gerais e especializadas e de livre acesso, na rede mundial.
Estamos contentes por já estarmos englobados nessa nova onda de desenvolvimento e nessa nova realidade. Entretanto, nossa comunidade de perfusionistas precisa despertar para o fato de que nós fazemos as observações, acompanhamos os fenômenos, conhecemos as suas causas e consequências e, portanto, cabe a nós fazer o respectivo registro. O respeito, a admiração e o reconhecimento do nosso trabalho também dependem da nossa participação no preparo e na divulgação da informação científica que utilizamos no nosso dia a dia. Não basta realizar uma perfusão complicada e contribuir para salvar uma vida sob grande risco. É preciso também fazer o registro completo do caso, descrevê-lo ordenadamente e fazer a sua publicação, para contribuir com o desenvolvimento e o progresso da comunidade a que pertencemos. Isso contitui a verdadeira Educação Continuada, processo mediante o qual estamos permanentemente aprendendo, evoluindo, ensinando e desenvolvendo.
O crescimento e o aperfeiçoamento da publicação eletrônica são as primeiras grandes conquistas do século XXI. A distribuição da informação pela Internet e a possibilidade do trabalho cooperativo por via digital constituem novas e importantes conquistas. Podemos afirmar com bastante segurança que, nos dias atuais, praticamente toda a informação acumulada pelo homem desde os primórdios da nossa civilização, está disponível sob o formato digital e pode ser acessada ou transmitida em poucos segundos, entre os mais longínquos pontos do planeta.
A era da informação, iniciada há poucos anos, deverá constituir um sólido suporte para o desenvolvimento e a redução das desigualdades, à partir do momento em que coloca a informação à disposição de todos os que se interessem por ela. Vamos aproveitar a onda de progresso e fazer da nossa revista a contínua fonte da informação de que tanto precisamos.
| Maria Helena |