Em qualquer atividade do mundo moderno, em permanente evolução, as melhores oportunidades são aproveitadas pelos indivíduos que possuem mais informação. Falar em "era da informação", nos dias atuais, chega a ser redundância. O adequado gerenciamento das informações é um fator decisivo no desenvolvimento pessoal e no crescimento profissional. A Internet, sem qualquer dúvida, facilitou o acesso à informação e acelerou substancialmente o seu intercâmbio.
O uso mais disseminado das informações, de qualquer natureza, consolidou uma nova realidade: os indivíduos com habilidade e coragem de apresentar idéias e informações, tem o poder de persuadir e motivar as pessoas.
Há, sem dúvida, diversas maneiras de intercambiar informação, inclusive a informação científica, que é a que nos interessa mais particularmente, no momento. Uma forma das mais eficazes é a comunicação verbal, que ocorre quando um grupo de indivíduos com interesses comuns ou correlatos se reune. Em nossa área de trabalho, estamos frequentemente exercitando essa forma de intercambiar informações nos cursos, simpósios, jornadas e congressos.
Nos congressos e tipos assemelhados de reuniões, as informações são trocadas através da comunicação oral, a mais importante para a transmissão das idéias. Existe a oportunidade de aprofundar os detalhes de maior interesse relacionados à informação oferecida, bem como a possibilidade de se obter a repetição ou o detalhamento de uma informação não completamente entendida. Podem também ser apresentadas observações ou pontos de vista capazes de enriquecer a informação inicial, tornado-a mais clara, concisa e completa. Isto sempre ocorre nos congressos, ainda que não se perceba; ocorre não apenas nas sessões formais, mas também nas conversas de corredor e nos intervalos entre as sessões.
A leitura, por mais atenta que possa ser, não tem o poder de transmissão da informação que a comunicação verbal tem. Na leitura, o autor é desconhecido ou distante; a sua idéia nem sempre é claramente entendida e, mais importante, não existe a possibilidade do diálogo. A transmissão da informação é passiva. A comunicação verbal, ao contrário é mais poderosa e versátil.
As pessoas tem, cada vez mais, a necessidade de desempenhar melhor as suas atividades. Entretanto, conversar sobre a mesma (comunicação verbal) em pequenos ou grandes grupos, registrar ou descrever suas experiências, idéias ou observações, armazenadas ao longo do tempo, pode ser um exercício penoso, se não houver uma preparação adequada.
A experiência tem demonstrado que durante a apresentação e discussão dos trabalhos de uma reunião científica, a quantidade de informações intercambiadas é muito grande, bem como é grande o seu aproveitamento. Essa experiência, de um modo geral, também contribui para motivar o estudo individual ou em grupo e a participação em atividades semelhantes. Essa é a razão essencial pela qual as sociedades profissionais e científicas privilegiam os congressos, ao invés das demais modalidades de intercâmbio de informações.
O desembaraço na conversa informal do dia a dia, tem pouco a ver com o desempenho na comunicação verbal, como forma de intercambiar informações. É difícil para a maioria dos profissionais de qualquer área, utilizar adequadamente essa potente modalidade de comunicação. Isto é consequência do simples fato de que a formação e o treinamento das pessoas são incompletos. Nós não somos ensinados a organizar e registrar o nosso trabalho diário, analisá-lo criticamente, tirar conclusões e discutí-las de forma ordenada.
Quando os indivíduos são treinados para serem médicos, perfusionistas, psicólogos,fisioterapeutas ou enfermeiros, na realidade, não se pretende que sejam também exímios oradores ou escritores. Entretanto, é fundamental que as pessoas sejam habilitadas ao uso adequado da comunicação nas suas diferentes formas, especialmente a comunicação verbal, como instrumento de aperfeiçoamento e progresso profissional. Isto se consegue com alguma disposição e um mínimo de treino.
De um modo geral, as pessoas evitam falar em público, por uma série de razões, como "vergonha" (inibição), medo de "enfrentar" a audiência, medo de não saber responder à alguma pergunta, receio de "parecer ridículo" ou de dizer "besteiras", etc. Essas "razões", contudo, não tem o menor fundamento; elas apenas servem para esconder a única e real razão: a falta de treino ou de familiaridade com a comunicação verbal !. É perfeitamente normal que algumas pessoas "pareçam" mais naturais ou à vontade do que outras, ao falar em grupo. A diferença, contudo, reside apenas no quanto uns conseguem "desligar" dos falsos e infundados receios e concentrar-se na comunicação. Na realidade, é mais importante "ser natural" do que "parecer natural". O treinamento e a perseverança permitem alcançar aquele objetivo.
A propóstito de falar em público, o humorista Jerry Seinfeld conta a seguinte história: ..."De acordo com a maioria dos estudos, o temor número 1 das pessoas é falar em público; o número 2 é a morte. Se isso estiver correto, a maioria das pessoas que tem que ir a um funeral, prefere estar no caixão a fazer o discurso de despedida !"
Boas idéias e muita preparação constituem fatores essenciais para o sucesso da comunicação verbal. A habilidade para expressar as boas idéias, contudo, também é um elemento fundamental. A expressão (comunicação) verbal pessoa a pessoa ou entre pequenos grupos de amigos, pode servir de importante preparação para falar em público, em ambientes mais formais ou diante de grandes audiências, como por exemplo, em um congresso ou reunião científica.
Se a idéia de falar em público o deixa nervoso, não pense que isso ocorre somente com você. Inibição, nervosismo, ansiedade, tensão, apreensão, medo, pavor, em maior ou menor gráu, ocorrem com qualquer pessoa ao falar em público. Associados às demais manifestações da descarga de adrenalina, como extremidades frias, sudorese da fronte e das mãos, palpitações, "sensação de vazio" no estômago e vontade de urinar, constituem um quadro muito conhecido e frequente que, entretanto, pode ser perfeitamente controlado ou até mesmo abolido, mediante uma cuidadosa preparação. Um indivíduo que, apesar de toda a preparação, mantém-se absolutamente incapaz de falar em público, é excepcional. Os principais requisitos continuam sendo a vontade e a determinação. Podemos afirmar que, de um modo geral, quem quer falar em público, pode e consegue falar em público.
O "pânico do pódio" é uma experiência muito comum. A platéia, de um modo geral, entende e desculpa o nervosismo do orador, quando ele é percebido. A maioria das pessoas, contudo, manifesta apenas uma discreta alteração da voz, que tende a desaparecer à medida que a apresentação progride. A ansiedade e a tensão surgem no início da apresentação e persistem pelos primeiros dois a três minutos. Depois costumam ceder e, ao final da apresentação a maior parte dos apresentadores está plenamente confortável.
O conhecimento do assunto a ser discutido, a cuidadosa preparação e o "ensaio" da apresentação, costumam fazer a diferença. Um bom orador ou apresentador pode, simplesmente, ser produto de muita disposição e treinamento. Na grande maioria das vêzes a má apresentação deve-se à pouca familiaridade com o tema ou ao preparo inadequado da apresentação.